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Assaltos e vandalismo na lezíria

Assaltos e vandalismo na lezíria

Proprietários agrícolas e ganaderos de Vila Franca de Xira estão desesperados

Várias propriedades agrícolas da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira foram invadidas por assaltantes e vândalos que deixaram um rasto de destruição e desespero. A tranquilidade do campo deu lugar ao medo e à revolta de proprietários e rendeiros.

Edição de 01.03.2006 | Sociedade
A Lezíria Grande de Vila Franca de Xira vive num clima de desconfiança e revolta. As vítimas dos assaltos e vandalismo fazem contas à vida e temem novas investidas. Nalguns casos, os prejuízos não estão cobertos pelo seguro e há bens e memórias que nenhum dinheiro consegue pagar. Quem ainda não foi visitado anda com o credo na boca, temendo ser a próxima vítima dos assaltantes que, além de furtarem materiais, ferramentas, combustível e outros bens, vandalizam indiscriminadamente as instalações.A onda de assaltos começou em duas ganadarias, seguiram-se depois várias explorações agrícolas, isoladas na lezíria. Numa das visitas, os ladrões deitaram o fogo a um barracão que ficou completamente destruído. José Casquinha foi a ultima vítima conhecida da vaga de assaltos que está a varrer a Lezíria Grande de Vila Franca de Xira. A propriedade, localizada a poucos metros da Recta do Cabo, junto à antiga estalagem do Gado Bravo, foi assaltada na madrugada de 25 de Fevereiro. Do pavilhão onde guarda tractores e alfaias agrícolas, os ladrões levaram, uma moto 4 nova, que tinha adquirido dias antes, diversas ferramentas, uma máquina de soldar e três mil litros de gasóleo agrícola.Ao que parece, os meliantes entraram a pé na propriedade e arrombaram o portão do pavilhão agrícola. Depois procuraram os comandos do portão automático da propriedade, no interior de um pequeno escritório, o que facilitou a entrada de uma viatura nas instalações. Pela quantidade de combustível levado terão usado um depósito de razoáveis dimensões.“Tinha recebido o livrete da moto 4 há dias e estava a tratar do seguro”, diz José Casquinha a O MIRANTE, enquanto agentes da GNR recolhem vestígios para investigação.A sucessão de assaltos na região começou com o assalto a duas ganadarias, o que levou os proprietários a pensar que “seria alguma atitude anti-taurina” disse a O MIRANTE o ganadero Canas Viguroux, cuja propriedade, localizada na Vala do Carregado, foi assaltada há duas semanas. Os assaltantes furtaram-lhe uma cabeça de boi embalsamada, capotes, puías e outros artigos tauromáquicos, materiais de equitação, quadros, além de destruírem portas e janelas. “É uma desilusão, sobretudo porque levaram e destruíram coisas que adquirimos ao longo da vida...”, lamenta Canas Viguroux. O ganadero não coloca a hipótese de ser vítima de vinganças ou ajustes de contas. “Não tenho problemas com ninguém”, afiança.Largaram fogo a barracãoA propriedade de Nuno Casquinha, localizada no lado Sul da Lezíria Grande, também foi assaltada. O portão do barracão onde estava guardado um tractor foi arrancado e destruído pela máquina ao ser retirada para o exterior. A propriedade foi vandalizada pelos assaltantes e nem os animais escaparam.Revoltados e incrédulos estão também os proprietários e rendeiros de explorações agrícolas isoladas na Lezíria de Vila Franca de Xira.Manuel Feliciano chegou á propriedade no dia 20 de Fevereiro, e encontrou o barracão onde guarda os tractores e alfaias destruído pelo fogo.“Ainda estava a arder quando cheguei mas já estava tudo destruído”, contou o agricultor que se dedica nesta época ao cultivo de brócolos, num local isolado conhecido por Torrão.Além do barracão, cujo telhado desabou, perdeu também um reboque, consumido pelo fogo, e diversos haveres domésticos que se encontravam numa dependência que usava para pernoitar na propriedade.Na herdade do Valente, os gatunos destruíram o interior das cabines de dois tractores e vandalizaram outros equipamentos, segundo informação que recolhemos junto dos agricultores. A João Geada, rendeiro da Herdade do Caldas, os assaltantes apenas furtaram ferramentas, cujo valor estima ser superior a dois mil euros. “Temos de nos juntar e, entre todos, contratar vigilância privada”, defende o agricultor, uma vez que “é impossível que dois GNR patrulhem toda a área”, explica.As instalações do Adema Clube de Caçadores e Pescadores de Santo Isidro, isoladas no interior do monte à beira da EN 118, próximo do Porto Alto, foram também alvo de assalto na última semana. Os meliantes, além de destruírem um móvel, a porta e as janelas, levaram diversas peças de caça que se encontravam numa arca congeladora. Não satisfeitos com a colheita, “levaram também 30 codornizes e oito pombos, que mataram arremessando ao chão”, conta António Joaquim da direcção da associação de caçadores, visivelmente desiludido.Os proprietários lamentam ineficácia das autoridades, devido à falta de meios, que não lhes permite patrulhar toda a área. Alguns dos proprietários ouvidos por O MIRANTE expressaram mesmo a vontade de serem os próprios a vigiar as propriedades.“Tudo indica que é gente ligada ao campo, que conhece muito bem a lezíria, pela forma como tem operado. Não é qualquer pessoa que mexe com gado bravo”, explica Pedro Serrasqueiro, Secretário Geral da Associação de Beneficiários da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira, adiantando que as instalações da própria associação também foram vandalizadas.“Achamos que as autoridades têm de reforçar a vigilância, e tem de ser uma vigilância muito bem preparada. Os proprietários estão a entrar em pânico com esta vaga de assaltos”, sublinha Pedro Serrasqueiro.A GNR reforçou o policiamento em toda a área cuja responsabilidade é do posto de Castanheira do Ribatejo. Em declarações a O MIRANTE, o Tenente João Pessoa, comandante do Destacamento de Vila Franca de Xira, adiantou que estão a acompanhar a situação. “Estamos a trabalhar em colaboração com a associação e a seguir algumas pistas...”, revelou.Segundo a GNR, os assaltos verificados na semana passada a três residências da Quinta de Baixo, localizada na Loja Nova, não estão relacionados com os assaltos às propriedades agrícolas.As três habitações foram alvo de arrombamento de portas e janelas. Os ladrões cortaram os fios do telefone e electricidade, vandalizaram o contador da luz mas, estranhamente, nada furtaram. José Bernardes
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