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Bailarico na discoteca

Mais de três centenas de idosos festejaram o Carnaval em Torres Novas

Muitos idosos da região pisaram pela primeira vez uma pista de dança de uma discoteca na tarde de quinta-feira para festejarem o Carnaval. E alguns prometeram quevão voltar.

Edição de 01.03.2006 | Sociedade
A noiva, de véu e grinalda, chegou de braço dado com o noivo. Atrás, os eventuais convidados, trajados a rigor, seguiam o casal. Entre gargalhadas e sorrisos envergonhados, foi-se criando um ambiente propício à celebração. A festa, marcada para as duas e meia da tarde de quinta-feira, na discoteca Emotion em Torres Novas, contou com a presença de mais de 300 convidados, e assinalou o Carnaval de 18 instituições de apoio à terceira idade do distrito de Santarém.Palhaços, bruxas, bonecas de trapos, peixeiras e piratas, entre outros, rodopiaram com perícia e desenvoltura na pista de dança, ao som de música popular portuguesa e brasileira. Os anos já pesam, mas a vontade de “jogar ao Carnaval” fala mais alto e, por isso, não houve nada que impedisse um passinho de dança numa tarde de folia. E mesmo aqueles que não se atreveram a pisar a pista assistiram, numa plateia improvisada com cadeiras de plástico, aos passos trocados dos mais atrevidos.Augusta Joaquina tem 76 anos e foi a primeira vez que entrou numa discoteca. Com os olhos brilhantes e esbugalhados observou tudo ao pormenor e ficou surpreendida com o que encontrou: “Afinal até é um sítio decente. É como nos bailaricos da sociedade. E eu que ralhava tanto com os meus netos por eles virem para a discoteca. Agora sou eu que lhes sigo os passos”, conta, ao mesmo tempo que solta uma valente gargalhada.Sentada na primeira fila de cadeiras, em frente à pista, Isilda Rosa, lembra o tempo em que se servia das roupas velhas e rotas dos pais, para ir aos bailes de Carnaval. Hoje, com 84 anos, já não tem vontade de dançar, mas confessa que “quando a festa lhe bate à porta” aproveita para “desenferrujar a cabeça que às vezes pensa demais”. Do outro lado da pista, junto à cabine de som, Luciana Brás, desafia o ritmo da música. Ainda não parou desde que chegou, e só interrompe a dança para pousar para a fotografia e explicar que a idade não é sinónimo de paragem: “Tenho 85 anos e ainda estou aqui para as curvas. No meu tempo não me divertia tanto porque não me deixavam, mas sempre gostei de cantar e bailar”, confessa, enquanto ajeita as tranças de lã amarela que compõem a fantasia de boneca.Na pista, confundem-se diferentes tipos de dança. A mais clássica, a mais moderna e até a mais atrevida. Um pirata mais afoito provoca descaradamente as duas companheiras de dança. De repente, vê-se no meio da pista rodeado pelos restantes bailarinos. Sem se intimidar, apodera-se da pista e aproveita para mostrar os seus dotes.Entretanto, o volume do som da música baixa e o DJ pede a atenção de todos. Chegou a hora do tão esperado concurso de máscaras. Os representantes das diferentes instituições desfilam com confiança ao longo de uma passerelle imaginária. Os aplausos ecoam e acompanham o movimento das luzes psicadélicas que iluminam o espaço. Após o desfile dos candidatos, não demorou muito tempo até que o júri tomasse uma decisão. O prémio de melhor máscara foi atribuído ao Centro de Dia da Brogueira. Vários utentes do centro, disfarçados de legumes, convenceram o júri e levaram para casa um CD oferecido pela discoteca e vários prémios distribuídos pelas restantes instituições.Passada a euforia do concurso, com a pista à disposição e o bar aberto, a animação continuou até ao final da tarde e, os mais de trezentos idosos que encheram a discoteca Emotion, provaram que a idade não impede a diversão. Mascararam-se, foram à discoteca e a maioria garante que quer voltar. Carla Paixão

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