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Câmara da Chamusca vai fazer segunda hasta pública de materiais fora de uso

Objectos recolhidos do lixo e peças antigas que deixaram de ser usadas nas escolas do concelho ou nos serviços municipais renderam seis mil euros à Câmara da Chamusca.

Edição de 01.03.2006 | Sociedade
Uma estatueta de Santo António foi a primeira peça a ser vendida na hasta pública que a Câmara da Chamusca promoveu no sábado, para se desfazer de alguns materiais que estavam a ocupar espaço nos armazéns municipais. A peça foi vendida por 12,5 euros a José Mourato. “Comprei-o para oferecer à minha esposa que gosta destas antiguidades”, justificou.“Temos aqui outro santo um bocado esbugalhado e chamuscado porque já andou nos incêndios há uns anos. Mas é restaurável. Ninguém quer?”, pergunta o presidente da câmara, Sérgio Carrinho, que assumia as funções de leiloeiro. Uma mulher diz para se passarem aos mapas. Estes faziam parte do espólio do colégio Padre Fernando Eduardo Pereira, que fechou em 1962. Mas o leiloeiro coloca antes à venda uma enorme lâmpada, a última dos antigos projectores da praça de toiros da vila. Depois agarra num mapa de Portugal e exclama: “São 12 euros e 50 cêntimos, quem quer?”. Há várias licitações e o mapa sai por 20 euros. A seguir mais dois pelo mesmo preço. Uma carta de Portugal Continental foi depois arrematada pelo presidente da Junta de Freguesia de Alpiarça, José João Pais. O advogado da terra, João Cardador, licitou até aos 40 euros a placa antiga com o nome da rua Anselmo d’Andrade, onde nasceu. O preço base era de cinco euros. “Ficou uma rua cara, mas como está alcatroada e tem todas as infra-estruturas...”, disse em tom de brincadeira. No saco fornecido pela câmara a fazer publicidade à Semana da Ascensão levou também uma placa do Notariado e outra a dizer Registo Civil”. Peças que vão decorar as paredes do escritório. Antes do leilão ter começado, às 11h00, Filinto Soares percorria as salas do edifício municipal da rua Anselmo de Andrade maravilhado com o que via. “É como recuar no tempo. Já vi uns livros da instrução primária dos tempos em que andava na escola”, diz o habitante da Chamusca com 75 anos. “Vinha à procura de coisas relacionadas com filatelia porque sou coleccionador, mas não há nada”, conclui. Numa das paredes estão pendurados uns calções beges e uma camisa verde. “É uma farda da mocidade portuguesa e naquele caixote há mais”, diz Sérgio Carrinho para matar a curiosidade de algumas pessoas que olhavam espantadas para as peças de roupa. As peças eram tantas que não se conseguiram vender todas no leilão que foi interrompido para o almoço e continuou durante a tarde. Entre as centenas de peças havia algumas resgatadas dos contentores do lixo, como um antigo megafone em forma de funil encontrado no Chouto. Ou material de autópsias que ninguém quis licitar.Havia caixas com frascos de antigos laboratórios, frascos que serviam para apanhar moscas nos pomares na altura em que não havia pesticidas. E até armadilhas para apanhar caça que por serem proibidas eram confiscadas pelos fiscais do município. Uma delas, diz o leiloeiro, é tão grande que “até dá para apanhar uma vaca”.Autênticas relíquias que foram sendo guardadas por ordem do presidente, que gosta de coisas antigas. Como um rádio com mais de 30 anos que era distribuído às escolas. Ou um triquinoscópio, aparelho que servia para a observação microscópica do leite. Quando o leilão terminou, por volta das 17h30, o município tinha conseguido com a venda das peças um total de 6 mil euros. Dinheiro precioso para pagar algumas dívidas da câmara municipal, que tem uma dívida total de quase 14 milhões de euros. Segundo o vice-presidente da autarquia, Francisco Matias, vai ser feito uma segunda hasta pública em data ainda a designar. António Palmeiro
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