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Defensores do Teatro de Alhandra não desistem

Nova proposta para evitar demolição do Salvador Marques

Centenas de alhandrenses não desistem da luta para evitar a demolição do Teatro Salvador Marques e participaram num segundo abaixo-assinado. A câmara vai estudar uma nova proposta apresentada pela comissão.

Edição de 08.03.2006 | Cultura e Lazer
Um abaixo-assinado e uma nova proposta apresentada à Câmara Municipal de Vila Fraca de Xira. Estas são as mais recentes iniciativas da Comissão para a Reabilitação do Teatro Salvador Marques para salvar o teatro de Alhandra. Na última reunião do executivo camarário, no passado dia 1 de Março, a comissão reiterou o desejo de ver recuperado o Teatro Salvador Marques. Sugeriu à autarquia a união do espaço do teatro com um edifício novo ao lado do Teatro Salvador Marques, conciliando, assim, espaços novos com espaços antigos. A presidente da câmara municipal, Maria da Luz Rosinha, mostrou-se disponível para discutir a proposta em reunião com a comissão. A sugestão foi feita por Casimiro Gonçalves que questionou, ainda, a autarquia porque nunca foi feito um estudo de reabilitação. Um outro elemento da comissão presente na reunião, Rui Perdigão, sublinhou o facto de vários técnicos terem emitido pareceres favoráveis à reabilitação. Rui Perdigão chamou ainda a atenção para a “violência” que o edifício a construir vai causar na zona que vai abrir o “precedente para futuras construções em altura”.O abaixo-assinado agora em curso é o segundo levado a cabo pela Comissão para a Reabilitação do Teatro Salvador Marques, depois do primeiro ter sido entregue à presidente da autarquia vilafranquense em meados do ano passado com 1300 assinaturas. No documento a comissão classifica o Teatro Salvador Marques “um objecto cultural raro” e “um elemento patrimonial particularmente relevante para a identidade comunitária de Alhandra”. O texto refere que o Teatro Salvador Marques é “um dos poucos teatros históricos de raiz italiana que escaparam, em Portugal, à fúria destruidora das últimas décadas”. Adianta ainda que pela “volumetria equilibrada e fachada de inspiração neoclássica (…) o edifício integra-se, de forma perfeita, no tecido e paisagem urbanos”.A Comissão demonstra ainda estranheza pelo facto de a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira se ter desinteressado pela classificação de interesse público do teatro, sugerida pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR). Segundo Maria da Luz Rosinha, o avançado estado de degradação do edifício e o facto de o projecto previsto para o local não ser exequível, por não responder às necessidades, estiveram na base da decisão de não avançar com a classificação.No texto do abaixo-assinado a Comissão para a Reabilitação do Teatro Salvador Marques apela “boa-vontade da Senhora Presidente da CMVFX, para que pondere devidamente as razões invocadas por todos os que defendem a salvação do TSM, e tenha o gesto de grandeza que a situação lhes parece requerer”. O Teatro Salvador Marques foi adquirido pela câmara municipal à Misericórdia de Alhandra, em 2000, com o objectivo de instalar ali o Museu do Neo-Realismo. Em 2001 a autarquia candidatou-se ao Plano Operacional da Cultura com vista a obter financiamento para a recuperação do espaço. Como a candidatura para a recuperação não foi aceite, a autarquia cedeu o teatro à Sociedade Euterpe Alhandrense. Com base em considerações técnicas que indicavam um avançado estado de degradação do espaço e o facto de não responder às necessidades da colectividade, a câmara decidiu demolir o Teatro Salvador Marques e construir no local um novo espaço cultural.

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