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CIRVER vão ter efeitos mínimos sobre o ambiente

Estudos de impacte ambiental dos dois centros de tratamento de resíduos perigosos da Chamusca estão em consulta pública

A construção de dois centros integrados de recuperação, valorização e eliminação de resíduos perigosos (CIRVER) na Chamusca vão ter implicações mínimas no ambiente da zona.

Edição de 08.03.2006 | Economia
Os estudos de impacte ambiental dos dois equipamentos, a que O MIRANTE teve acesso, apontam essencialmente para um aumento de tráfego de veículos pesados e alguns inconvenientes na fase de construção. Um dos centros vai ser instalado a cerca de 10 quilómetros a nordeste da Chamusca, na freguesia de Carregueira, e pertence ao consórcio SISAV, constituído pelas empresas SARP-Industries, Sapec e Auto-Vila. O outro é da ECODEAL, que reúne o grupo multinacional de raiz espanhola FCC e a Quimitécnica Ambiente e localiza-se na mesma freguesia perto do marco geodésico do Rodeio, no seguimento dos dois aterros da Resitejo já existentes na zona. No total, os dois sistemas têm capacidade para tratar cerca de 512 mil toneladas de lixos perigosos por ano - 315 mil toneladas/ano é a quantidade máxima prevista na laboração anual do centro da SISAV. No caso da ECODEAL, apesar de ter um potencial mercado de 197 mil toneladas/ano, a empresa apenas prevê tratar 68.900 toneladas anualmente, já que alguns resíduos podem ser encaminhados para outras unidades fora do país. Apesar da dimensão dos projectos, os estudos ambientais encomendados pelas duas empresas apontam para inconvenientes considerados mínimos. Como alterações morfológicas devido às escavações necessárias para a implantação das fundações dos edifícios. Na fase de construção as emissões gasosas consistem sobretudo em poeiras resultantes da movimentação de terras. Na fase de exploração, dizem os estudos, as emissões de fumos vão cumprir a legislação em vigor. A nível de impacte ecológico, o estudo da ECODEAL refere que não foram detectadas espécies com estatuto de conservação, pelo que “os impactes serão pouco significativos”. O principal impacte, pode ler-se no documento, poderá ocorrer ao nível da arqueologia durante a fase de construção, pelo que é exigido um acompanhamento da obra por parte de arqueólogos. Quanto aos recursos hídricos, foram identificadas três linhas de água que só apresentam caudal quando existe grandes chuvadas. Durante a fase de exploração do sistema da ECODEAL o “único impacte expectável é o aumento do caudal resultante da descarga de águas pluviais não contaminadas recolhidas na superfície dos equipamentos”. A empresa garante que a água usada nos processos de tratamento dos CIRVER será reutilizada em novos tratamentos, na rega de zonas ajardinadas e na lavagem de equipamentos, sem que haja descarga de efluentes. Quanto ao equipamento da SISAV prevê-se a descarga de águas, mas após serem tratadas e nas alturas em que o caudal das linhas de água é maior. E garante-se a monitorização da qualidade da água e o seu tratamento dentro dos parâmetros exigidos por lei. Esta empresa aponta como factor positivo a criação, no conjunto dos dois CIRVER, de mais de cem postos de trabalho. Os estudos apontam para a importância dos centros na resolução de um problema nacional, regional e local. “Contribui decisivamente para a redução do risco nacional, ao assegurar uma solução para um conjunto importante de fileiras de resíduos perigosos, para os quais não existe, até à data, uma solução em Portugal”, diz o estudo da ECODEAL. A fase de exploração dos centros é de dez anos, sendo possível expandir o prazo para 28 anos ou mais.

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