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Uma notária no sector privado

Isabel Marques trabalhou 25 anos na função pública

Isabel Marques arrancou há nove meses com o primeiro cartório notarial privado do distrito de Santarém. Deixou 25 anos de serviço público para vestir a pele de empresária.

Edição de 08.03.2006 | Economia
Quem está habituado ao aspecto cinzentão das repartições públicas espanta-se ao entrar no cartório de Isabel Marques – o primeiro notário privado de Santarém – a funcionar há nove meses na Avenida D. Afonso Henriques.No espaço, decorado com cores alegres, há música ambiente. O sistema está informatizado e os funcionários deixam o que estão a fazer para atender o cliente que chega. Esta é uma das grandes diferenças em relação ao tradicional serviço público onde Isabel Marques, trabalhou durante 25 anos.Há cerca de nove meses a notária, licenciada em Direito e residente no Entroncamento, deixou a carreira na função pública e aproveitou a privatização dos cartórios para se aventurar na criação do próprio negócio.As diferenças no serviço não se ficam só pelo espaço. O tempo que os clientes gastam reduziu-se substancialmente. “No cartório público era impensável uma pessoa chegar e fazer uma procuração. Aqui fá-la de imediato. Evito que as pessoas venham duas vezes ao cartório pelo mesmo motivo, com excepção das escrituras”, garante a profissional, que formou a equipa de cinco pessoas que trabalham na empresa. Agora que dirige a sua própria firma Isabel Marques não se coíbe de pedir aos colaboradores que fiquem além da hora. “Não há ninguém que diga: o serviço está fechado, venha amanhã”, garante a empresária.Para aumentar a transparência dos actos a notária decidiu investir na compra de um ecrã plasma que tem na sala de escrituras. “As pessoas vão acompanhando a leitura da escritura, estão mais atentas e às vezes até corrigem uma palavra ou outra o que é óptimo”, garante Isabel Marques.Isabel Marques confessa que quando era notária teve várias ideias que nunca conseguiu pôr em prática. “Mesmo que quisesse comprar um programa informático à minha custa o Estado não o permitia”.A informatização dos processos possibilita maior rapidez, mas foi um dos grandes receios a 29 de Junho de 2005, o dia do arranque. “Se falhasse o sistema informático nem sequer um simples reconhecimento de uma assinatura poderia fazer”, exemplifica.O primeiro cartório notarial privado da cidade abriu um dia depois de Isabel Marques ter abandonado o gabinete da função pública. A notária orgulha-se de ter preparado a transição sem prejudicar um único dia de trabalho. O cartório encheu no primeiro dia. “Era uma coisa nova. Não há notariado privado desde o tempo do Salazar”. As compras, vendas e empréstimos são os actos que mais se praticam no cartório de Isabel Marques, depois das escrituras de partilha e habilitação, aumentos de capital, dissoluções e constituições de sociedade, alguns dos actos que poderão ser passados para as conservatórias (ver caixa).Isabel Marques continua a aumentar a carteira de clientes. Trabalha 10 horas por dia no escritório e leva ainda mais duas de trabalho na pasta para o serão. Chegam-lhe cinco horas de sono. Os actos mais complexos que exigem alguma imaginação são os que mais lhe agradam. “Há pessoas com quatro filhos que querem fazer divisão das propriedades e nós lá vamos estudando a maneira de cada um ficar com o seu bocadinho”, revela.Ana Santiago

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