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Uma vida entre livros

Uma vida entre livros

Francisca Guerreiro é livreira em Vila Franca de Xira

Francisca Guerreiro era apenas uma ávida consumidora de livros, mas há 27 anos passou para o outro lado do balcão transformando a sua paixão pela leitura em profissão.

Edição de 08.03.2006 | Identidade Profissional
As férias grandes do Verão era a época por excelência em que Francisca Guerreiro se dedicava quase 24 horas por dia à leitura. “Pedia os cartões da biblioteca aos meus amigos e depois trazia quantos livros conseguia aguentar nos braços. Assim que terminasse de os ler, pedia ao meu pai para ir de novo à cidade buscar mais”.A cidade era Beja, a terra natal de Francisca que veio para Vila Franca de Xira para trabalhar numa livraria. Apesar do seu fascínio pelos livros, sobretudo, os romances históricos, Francisca Guerreiro sempre quis ser professora primária. No entanto, as dificuldades económicas levaram-na noutro sentido. Em 1979, depois de ter terminado o 11º ano, foi convidada por um amigo para trabalhar durante um curto período de tempo numa livraria. Nesse mesmo ano surgiu a oportunidade de ir trabalhar para uma livraria em Vila Franca de Xira. Como “quando somos novos fazemos coisas assim”, não hesitou e mudou-se de malas e bagagens para Vila Franca. Hoje, passados 27 anos, não se arrepende da decisão e tem a certeza que não gostaria de estar a fazer outra coisa. Aos 45 anos já leu livros de todos o géneros literários, de autores portugueses e estrangeiros. Na memória ficou especialmente guardada a obra “O Último Castelo de Northanger”, um retrato da Inglaterra da Idade Média, que leu quando tinha 13 anos. “Demorei oito horas a lê-lo, das 22h00 às seis da manhã”, recorda.“As Brumas de Avalon”, “O Livro dos Dias”, “O Calendário de Córdoba” ou “A Crisálida” são apenas alguns dos livros que mais marcaram Francisca Guerreiro. No entanto, a livreira diz que cada livro que leu a marcou de algumas forma, “porque todos os livros nos fazem mudar, ver as coisas de maneira diferente. Fazem-nos perceber que nada é preto ou branco, que não temos a verdade toda”.O dia de Francisca Guerreiro divide-se entre o atendimento ao público, as encomendas e a distribuição pelas estantes da livraria das obras novas que chegam. Este é um momento que dá particular prazer a Francisca. “Não há um livro que ponha para vender que eu não tenha lido, pelo menos, na diagonal”. Conhecer o que tem disponível para poder dar a sua opinião de entendida aos clientes é para a livreira algo de fundamental. Depois de 27 anos em Vila Franca já criou cumplicidade com muitos clientes que confiam nas suas sugestões para a compra de livros.O prazer que lhe dá viver o dia a dia rodeada de livros ajuda Francisca Guerreiro a ultrapassar as dificuldades próprias do sector livreiro. Por um lado, critíca o facto de as publicações portuguesas terem pouco incentivo. “Publicamos em pequena quantidade, logo o preço dos livros é mais elevado. Além disso, não investimos nos países que partilham a nossa língua, como o Brasil, Angola ou Moçambique. É urgente uma outra perspectiva, mais globalizante”. Francisca sublinha ainda o facto de “tudo o que está relacionado com livros, desde os direitos de autor à tinta para o papel ter IVA a 21 por cento”, o que também penaliza o sector. Por outro lado, “existe um grande problema no nosso país: não foi criada às pessoas a necessidade da leitura”. Para a livreira isto é um facto preocupante “porque as pessoas só conseguem ir mais além se tiverem conhecimento, um conhecimento consistente que os livros oferecem”.Com o objectivo de combater esta falha dos portugueses, Francisca Guerreiro aposta nos mais novos. Leva às escolas escritores para despertar o gosto nos mais novos. Um trabalho “árduo e muito lento”, mas que vai continuar a levar a cabo. Sara Cardoso
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