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Soluções financeiras mais uma vez adiadas

Câmara de Santarém deve votar esta quarta-feira conjunto de medidas
Edição de 08.03.2006 | Política
O serviço da dívida da Câmara de Santarém custa ao município, só em juros de mora, 40 mil euros por dia, revelou segunda-feira o presidente da autarquia, Francisco Moita Flores (PSD), durante a reunião do executivo.No total, a câmara tem uma dívida na ordem dos 80 milhões de euros mas estes valores de juros diários dizem respeito somente a um volume de 15 milhões a fornecedores que estão a cobrar juros à taxa de nove por cento, explicou, por seu turno, o vice-presidente da autarquia, Ramiro Matos.Esses números foram lançados durante a discussão do pacote de soluções financeiras que a maioria PSD quer implementar para sanear as contas da Câmara de Santarém. E que acabou por ser adiada para uma reunião a efectuar esta quarta-feira.O presidente da câmara, Francisco Moita Flores (PSD), decidiu suspender a sessão após os vereadores da oposição terem declarado que não tinham tido tempo para analisar em detalhe os documentos - que não lhes foram fornecidos dentro do prazo legal. Mesmo assim, houve discussão à volta do leque de opções proposto por uma equipa de consultores financeiros e que visa regularizar o pagamento de 26 milhões de euros.Um dos técnicos envolvidos, Marco Carreira, deu algumas explicações ao executivo, revelando que a estratégia assenta em 3 pilares: negociação da dívida a fornecedores dilatando-a no tempo; contratação de um empréstimo de curto prazo no valor de 1,2 milhões de euros a pagar até final do ano; e uma operação de antecipação de receitas dos próximos 15 anos provenientes da EDP – pela passagem da rede eléctrica nacional - que poderá permitir o encaixe imediato de quase 20 milhões de euros.O especialista diz que essas soluções só farão sentido se forem articuladas, acrescentando que a situação financeira da câmara necessita de medidas urgentes. E estimou que, mesmo assim, só dentro de dois ou três anos é que a tesouraria da câmara ficaria desafogada em termos de gestão corrente.Além destas propostas, o PSD, que possui maioria relativa no executivo, está a renegociar os contratos de “factoring” com fornecedores, dilatando os prazos de pagamento e tenciona ainda iniciar os procedimentos para contrair um “leaseback” – operação que prevê a cedência de património no valor de 12 milhões de euros para garantir um empréstimo de 17,5 milhões de euros.Na reunião, o consultor evitou pronunciar-se sobre o “leaseback”, alegando que não lhe foi pedido para discutir essa questão, uma posição que foi vista pela vereadora da CDU, Luísa Mesquita, como um sinal de “falta de apoio” a essa proposta.No entanto, Ramiro Matos reafirmou a intenção da maioria em promover essa operação caso as outras propostas não permitam aliviar a pressão existente na tesouraria.

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