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Um menino muito certinho

Edição de 08.03.2006 | Política
Daniel Branco nasceu em Alcácer do Sal, mas cedo a sua família abandonou o Alentejo. O pai era fiscal de obras da Companhia das Águas de Lisboa, actual EPAL e até à altura de entrar para a escola primária o miúdo conheceu Vila Franca de Xira, Azambuja, Amiais e Olivais. Talvez por isso não tem amigos de infância. A meio da primária foi para Moscavide onde viveu até aos 24 anos. A ligação ao concelho onde seria presidente de câmara começou cedo e foi cimentada com o casamento, em 1968, com uma rapariga que vivia em Alverca. Foi a primeira de quatro uniões.Daniel tem uma irmã mais velha dois anos e o ambiente familiar era excelente. Era um rapaz muito certinho e bem comportado com excelentes notas na escola. Mas a vida naqueles tempos não era como agora. Com 11 anos levantava-se às seis da manhã e usava um comboio e dois autocarros para chegar à Escola Eugénio dos Santos, em Lisboa, onde estudava. A seguir fez o curso de formação de serralheiro na Escola Afonso Domingos.O Curso Industrial foi feito com distinção. No último ano dispensou a todos os exames. A prenda foi um emprego no dia seguinte ao último dia de aulas. “Quando cheguei a casa para contar que tinha dispensado estava lá um amigo do meu pai, o Henrique Caipira, que me convidou a ir dar uma volta com ele no dia seguinte. A volta acabou num emprego na Mague. Acabei a escola a 29 de Junho e a 30 começava a trabalhar. Tinha 21 anos. Nem tive férias”, conta. Começou a trabalhar mas não largou os estudos. Frequentou a Faculdade de Ciências e o Instituto Superior Técnico. Essa situação permitiu-lhe adiar a entrada no serviço militar. Entrou para a tropa em 1970. Fez o curso de oficiais milicianos em Mafra e prestou serviço em Beirolas no Depósito de Material de Guerra. Esteve 39 meses no Exército mas nunca foi mobilizado para as ex-colónias. Passou à disponibilidade como tenente.Regressou à Mague em 1973 e foi colocado como chefe de obra dos grupos turbo-alternadores da Central de Setúbal. A sua competência não estava em causa mas os responsáveis da EDP, empresa que contratara o trabalho, não viam com bons olhos um técnico tão jovem e ainda por cima bacharel e não licenciado a liderar a execução do projecto. A Mague acabou por encontrar uma solução para o “problema”, mandou-o em serviço para Baden, na Suíça.A ida começou a ser preparada em Outubro de 1973. Daniel Branco chegou a frequentar um curso de alemão nessa altura. A ida acabou por acontecer a 8 de Maio de 1974, pouco tempo depois do 25 de Abril. O engenheiro da Mague já era casado e tinha dois filhos menores mas ainda não era membro do PCP. Um ano e meio depois, pouco antes do 25 de Novembro de 1975 regressou e iniciou a sua carreira política.O ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira tem 60 anos. Tem quatro filhos, três rapazes e uma menina. O mais velho tem 36 anos, a mais nova, a Francisca, faz este mês três anos. Daniel Branco vive actualmente uma quarta relação. “Nesta comunidade somos quatro. A minha mulher e eu, a nossa filha mais nova e uma menina de 7 anos, Ana Alice, filha da minha mulher, que me adoptou”.

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