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Buraco nas contas da Câmara de Torres Novas

CDU pede auditoria à situação financeira do município e exige contenção de despesas

Nos últimos anos, a dívida de curto prazo da Câmara de Torres Novas duplicou. A CDU diz que é tempo de parar o endividamento e se reverem prioridades.

Edição de 08.03.2006 | Sociedade
A dívida global da Câmara Municipal de Torres Novas situa-se nos 31 milhões de euros e a dívida a curto prazo, no que diz respeito a fornecedores, aumentou no último ano de 8 milhões para 16 milhões de euros. Os números foram avançados pela comissão concelhia da Coligação Democrática Unitária (CDU), que pede a realização de uma auditoria financeira às contas do município, por uma entidade externa e independente, no sentido de se perceber melhor a “gravidade do buraco financeiro” da autarquia. Uma demanda sempre recusada pelo presidente do município, o socialista António Rodrigues.As preocupações da CDU foram tornadas públicas durante uma conferência de imprensa realizada sexta-feira, 3 de Março. Os representantes da coligação mostraram-se apreensivos com o aumento da dívida da autarquia. Situação que, para o vereador da CDU na câmara, Carlos Tomé, se deve maioritariamente a opções erradas por parte da autarquia, no que se refere às prioridades.Segundo a CDU, a preocupação maior prende-se com a dívida às juntas de freguesia, aos bombeiros, aos centros culturais e recreativos e aos clubes desportivos, que perfaz um valor aproximado de 500 mil euros. Uma situação que causa grandes problemas de tesouraria a essas entidades e limita a sua actividade.O mesmo acontece com a dívida a fornecedores, que pode pôr em causa a saúde do tecido empresarial: “Pequenas e médias empresas podem ter a corda na garganta, com créditos a receber e que não podem cobrar”, diz Carlos Tomé.O vereador da CDU garante que a política levada a cabo pelo actual executivo camarário não se coaduna com a crise financeira do município e contraria o discurso de contenção do presidente da câmara, aquando da tomada de posse do último mandato, a 9 de Outubro do ano passado. Na altura, António Rodrigues assumiu as dificuldades financeiras da autarquia e alertou para a necessidade de “apertar o cinto”: “Mas já chegámos à conclusão que a prática tem sido completamente oposta à declaração inicial de intenções. Uma coisa são as palavras, outra coisa são as acções”, afiançou Carlos Tomé.E já foram várias as opções políticas contestadas pela oposição, desde a tomada de posse do actual executivo. A aprovação de uma Empresa Municipal para gerir o Teatro Virgínia terá sido a mais flagrante, porque vai “roubar” aos cofres da autarquia cerca de 500 mil euros por ano. Um valor, que segundo Carlos Tomé, não vai ao encontro das características e das possibilidades concelhias e que desvaloriza todas as outras opções culturais: “Chegou-se à conclusão que a cultura em Torres Novas se resume ao Teatro Virgínia. Tudo o que seja cultura, é decidido, organizado e concretizado pelo Virgínia. Qualquer dia os serviços culturais desaparecem, porque vão deixar de fazer falta”.Atendendo à “grave situação financeira do município”, a CDU apresentou à autarquia um plano de contenção de despesas, que passa imediatamente pela definição de prioridades e reformulação dos projectos camarários. A realização de uma auditoria externa às contas do município deverá ser, na opinião da CDU, a primeira medida a ser tomada.Carla Paixão

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