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Comerciantes queixam-se da concorrência chinesa

Comerciantes queixam-se da concorrência chinesa

Câmara de Benavente reforçou acções de fiscalização

Os comerciantes de Benavente queixam-se da concorrência das lojas chinesas. O presidente da câmara lembra que o mercado é aberto, mas reforçou a fiscalização.

Edição de 08.03.2006 | Sociedade
Cerca de três dezenas de proprietários de estabelecimentos comerciais de Benavente queixam-se da concorrência das lojas chinesas que continuam a aumentar na vila.A abertura de mais duas lojas de artigos orientais foi a gota de água para os comerciantes locais que há duas semanas decidiram afixar um comunicado assinado por todos em cada um dos estabelecimentos.Na missiva, assinada por 27 dos comerciantes que mais directamente são prejudicados com o negócio, os negociantes apelam ao presidente da Câmara de Benavente para que não autorize a abertura de mais lojas estrangeiras na vila, onde já existem cinco. “A continuar assim a maioria dos comerciantes terá que fechar as suas portas. Vamos para o desemprego?”, interrogam-se os signatários do comunicado intitulado “indignação e revolta”.Os comerciantes consideram que os negociantes prejudicam o comércio local por colocarem à venda artigos a preços muito baixos e funcionarem ininterruptamente.O presidente da Câmara de Benavente, António José Ganhão, está sensível ao problema do comércio local, mas lembra que o mercado é aberto. “Vivemos num país em que existe a liberdade de se criar um estabelecimento”, sublinha.O autarca garante que a única medida ao alcance da câmara é o reforço das acções de fiscalização no que diz respeito às licenças de utilização e horários de funcionamento (ver caixa), mas sublinha que “não pode haver xenofobia”. António José Ganhão lembra que os estabelecimentos podem funcionar para além do horário normal, à semelhança das grandes superfícies, desde que efectuem um pedido à autarquia. A última e a maior loja de chinês abriu na rua central de Benavente, ao lado da Caixa Geral de Depósitos, o que gerou ainda mais insatisfação entre os comerciantes da vila.O proprietário da loja “Europalar” é uma das vozes críticas. “Oiço toda a gente a queixar-se. Como é que é possível que vendam com preços tão baixos?”, interroga-se Joaquim Cabanas.A loja de roupa de Eulália Oliveira é outra das que ainda se aguenta porque não é preciso pagar renda. “Vemos algumas clientes que podem pagar roupas de qualidade e preferem ir ao chinês”, desabafa.Clarinda Silva já se viu obrigada a dispensar a funcionária há cerca de cinco meses. O marido entretanto já voltou ao ofício de serralheiro. “Esta semana tirei três tapetes de 10 euros para mostrar a uma cliente que me disse na cara que os comprava por dois no chinês”, diz desmotivada a proprietária.O representante das empresas luso-chinesas em Portugal, Chen Jian, compreende o drama dos portugueses, mas lembra que também os asiáticos são vítimas da concorrência de um mercado cada vez mais global. “A concorrência não é só dos chineses. Há outras marcas com preços mais baixos”, garante o comerciante, proprietário de um armazém na zona do Porto Alto.Chen Jian explica que os comerciantes chineses são obrigados a trabalhar ao fim de semana porque vivem grandes dificuldades económicas. E, ao contrário de muitos comerciantes portugueses, não têm apartamentos nem lojas próprias e alugam os espaços com rendas muito altas.O porta-voz dos comerciantes considera que os lojistas portugueses não podem limitar a abertura de mais lojas chineses até porque isso representaria uma violação da lei.Ana Santiago
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