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Fugiu do canil e atacou rebanho

Fugiu do canil e atacou rebanho

Câmara de Coruche poderá ter de pagar as ovelhas e borregos chacinados por um cão

O agricultor lesado reclama uma indemnização à Câmara de Coruche pelos prejuízos causados pelo cão.

Edição de 08.03.2006 | Sociedade
Um agricultor do concelho de Coruche queixa-se que um cão à guarda do canil municipal feriu e matou várias ovelhas e borregos que descansavam de noite na herdade do Monte da Barca.Tudo sucedeu em 9 de Fevereiro quando os cães, segundo refere o agricultor, partiram estacas da vedação do cercado e rasgaram a rede de malha metálica “ovelheira”, matando e ferindo indiscriminadamente borregos, ovelhas e carneiros.Quando foi para soltar os animais para pastarem deparou-se “com 21 borregos mortos e feridos, além de duas ovelhas mortas e mais nove mordidas”, descreve o agricultor em carta enviada à Câmara de Coruche.Vicente Gonçalves dirigia-se à propriedade com um ajudante. E assegura ainda terem detectado o cão com um borrego na boca, que se refugiou dentro das instalações da Câmara de Coruche, junto ao canil municipal, na zona industrial do Monte da Barca.“Foi nessa altura que uma funcionária da câmara chamou o cão, prendeu-o com uma trela e levou-o para o canil”, descreve. Revela ainda que uma voluntária que faz serviço no canil soltou os cães no dia seguinte, por não ter sido avisada da situação, e que os mesmos voltaram a dirigir-se para o seu cercado. O agricultor solicitou à autarquia que resolva o problema dado o grande prejuízo que teve. Além dos animais mortos e feridos no ataque, diz ter ainda entre 50 e 100 ovelhas desaparecidas após o ataque do cão.Vicente Gonçalves aponta, entre outras testemunhas, funcionários da câmara das instalações da zona industrial, além da voluntária que, garante, foi mordida pelo cão.A presidente da Associação dos Amigos dos Animais de Coruche confirmou a O MIRANTE que o cão que atacou as ovelhas e borregos pertence ao canil municipal.Amália Prates recorda que o cão tinha entrado há poucos dias e nada fazia prever a situação. “Ele é meigo com os tratadores e nunca houve problemas. Desta vez soltou-se e aconteceu isto”, refere.A dirigente da associação adianta que os animais apenas são passeados à volta do canil com recurso a trela e que até se está a começar a construir uma rede na zona envolvente ao canil para que os cães não estejam apenas confinados às boxes. De resto, Amália Prates esclarece que, para já, não se coloca a questão de falta de capacidade do canil. “Temos conseguido entregar animais com recurso a campanhas de doação e temos mantido o limite dos 50 cães”, revela.Informação diferente tem o veterinário municipal de Coruche. Nuno Figueiredo esclarece que, ao ter sido chamado para identificar o animal após o ataque às ovelhas, constatou que o cão não está registado como pertencendo ao canil.“Todos os animais que dão entrada no canil são identificados. Preenche-se uma folha de entrada, determina-se a idade, raça e outros elementos. E o cão que verifiquei não cumpria esses requisitos”, adianta o veterinário municipal, remetendo outras explicações para os serviços camarários.O presidente da Câmara de Coruche reforça que o assunto foi remetido para os serviços jurídicos da autarquia. Dionísio Mendes (PS) adianta que, conforme o relatório elaborado pelos serviços, o assunto será levado a reunião de câmara para se tomar uma decisão.“Caso se apure que o animal pertence ao canil a decisão será encaminhada para a seguradora da câmara, explicou o autarca. Ricardo Carreira
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