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Homem não entra

Dia Internacional de Mulher comemorado no Porto Alto

Cerca de cem mulheres vão juntar-se esta quarta-feira, no Porto Alto, para assinalarem o Dia Internacional da Mulher. O encontro tem entrada barrada aos homens.

Edição de 08.03.2006 | Sociedade
O objectivo “é poder conviver-se livremente sem os chatos atrás”, diz Glória Relvas, 36 anos, casada. Os chatos são os homens, proibidos de entrar no jantar de convívio que vai assinalar no Porto Alto (Benavente) mais um Dia Internacional da Mulher.Para a mentora do evento, “é um convívio entre mulheres com entrada proibida a homens”. A organização reservou especialmente para este dia um restaurante do Porto Alto. Além do jantar, cuja ementa ficou no segredo dos deuses, a noite vai ser animada pelo duo Kenkanta. No encontro, participam mulheres de todas as idades. A mais nova tem 12 anos e a mais velha 70. A maior parte delas já é casada, mas há muitas solteiras e até divorciadas. Ângela Martins, outro dos elementos da organização, diz que este encontro servirá também para recordar aos homens deste país que “as mulheres precisam de ser mais valorizadas”. E acrescenta que “além de mães, esposas e donas de casa, são também um ser humano”. Com 42 anos de idade, divorciada e mãe de três filhos, Ângela diz que desde sempre ensinou os seus dois rapazes a não serem machistas. “Gostaria de ter podido bater nas mães deste país que não souberam educar os seus filhos”, acrescentou. Apesar de tudo, não se considera feminista, diz antes que é uma “anti-machista”. No entanto, não deixou de acrescentar que “ser homem é tão vulgar que não é preciso assinalar-se com um dia do ano”.Se lhe pedirem para propor um tema para debater nesse dia, Sónia Duarte diz que seria: “os preconceitos que ainda existem nas mulheres em relação ao sexo masculino”. Para esta participante, o grande objectivo é as mulheres poderem conviver em conjunto “neste dia tão especial”. Patrícia Oliveira, 24 anos, é mãe solteira. Também ela não quer faltar a este encontro. E num tom bem decidido, Patrícia referiu que se fosse ministra da solidariedade faria força para que “as leis que punem os agressores em termos de violência doméstica fossem cumpridas”. No entanto, fez questão de acrescentar que quando fala em violência doméstica, é para ambos os sexos. “Há também homens que levam porrada das mulheres”, recordou.Questionada sobre a possibilidade deste encontro ser o embrião para uma futura associação de mulheres da região do Ribatejo, Glória Relvas diz que isso não passa pelos planos desta organização. O objectivo é aumentar, no próximo ano, o número de pessoas a este encontro. “A união faz a força”, referiu. Em jeito de conclusão, Glória Relvas apelou aos homens deste país para oferecerem algo às suas mulheres neste dia. “Pode até ser uma pequena lembrança simbólica, o que importa é a intenção”.Mário Gonçalves

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