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A menina do motocross

Vanessa Alexandra é a única rapariga a competir no campeonato nacional

Vanessa Alexandra tem 14 anos e é a única rapariga a praticar motocross de competição em Portugal continental. Apesar da modalidade ser dominada pelo sexo masculino, não se sente intimidada e diz que tanto lhe faz correr contra rapazes ou raparigas. Corre sobretudo pela adrenalina de andar de mota, mas não esconde que gosta de vencer.

Edição de 15.03.2006 | Desporto
O capacete, o fato especial e a forma como corre não a distinguem de nenhum dos restantes participantes do escalão de iniciados do Campeonato Nacional de Motocross. À primeira vista, a única diferença está nas costas onde o nome Vanessa costuma levantar algumas dúvidas, sobretudo a quem não acredita que uma rapariga de 14 anos possa participar numa prova de motocross.O certo é que Vanessa Hilário já corre de mota há seis anos. Ligada à modalidade desde muito pequenina, quando assistia às provas do pai, também ele piloto de motocross, a jovem, natural de Torres Novas, não demorou a interessar-se pela modalidade e, com apenas oito anos, disse ao pai que gostava de ter uma mota e de entrar em provas.Era o que José Vital queria ouvir. Nunca tinha feito muita pressão para a filha experimentar fazer uns saltos mas tinha a secreta esperança que um dia isso viesse a acontecer. E aconteceu.Para que a filha não corresse grandes riscos, comprou inicialmente uma KTM de 50 centímetros cúbicos (cc) e 3 cavalos. “Temos sempre algum receio e eu não queria que lhe acontecesse nada”, explica. Mas o facto é que passada a primeira semana Vanessa já se queixava que a mota não andava.A família fez mais um esforço e comprou uma mota mais potente. Daí à primeira prova, no Rebocho, perto de Coruche, foi um pequeno salto. Dessa corrida inicial, Vanessa recorda-se apenas que apesar de ter treinado bastante estava muito nervosa. Tinha receio de não conseguir e de ser gozada por ser rapariga.Mas nada disso aconteceu. Entre 13 pilotos ficou em oitavo e na prova seguinte já fez um sexto lugar. As subidas ao pódio não tardaram e antes da primeira e única vitória até ao momento, em Avenidas do Sado, fez vários segundos e terceiros lugares.Com aparente sinceridade e sem falsas modéstias, Vanessa Hilário garante que corre pelo prazer de andar de mota. “É claro que gosto de ganhar, e já ganhei uma prova em 50 cc, mas isso não é o mais importante. Não vou dizer que chegar ao primeiro lugar é impossível, porque pode acontecer um dia, mas não é o meu grande objectivo”, garante, confessando que se sente atraída sobretudo pela adrenalina da modalidade e que gosta essencialmente de fazer saltos.“Se ela conseguir controlar os nervos, penso que é capaz de andar entre os 5 - 6 primeiros”, afirma o pai, revelando que a filha está sempre muito nervosa antes das provas e por vezes não consegue mostrar tudo o que sabe. A próxima época, que será a última na classe de iniciados, poderá ser melhor em termos de classificação. Em 2004-2005, Vanessa foi 22ª entre 29 pilotos, obtendo um total de 77 pontos nas provas em que participou.Tal como na maioria dos outros jovens que praticam motocross, os pais de Vanessa são os seus grandes patrocinadores. Uma empresa de peças do Entroncamento e outra firma de Tomar são as únicas a ajudar a equilibrar o orçamento, este ano ligeiramente aliviado pela oferta de três fatos completos para motocross por parte de uma empresa da especialidade.Os pais acompanham-na a todas as provas e são a equipa que garante toda a logística. Têm apenas a colaboração de um mecânico, que trata das afinações e reparações da mota.Correr de moto não é apenas ir para a pista e fazer uns saltos. Vanessa treina duas vezes por semana de moto e o resto dos treinos divide-se pela bicicleta e pela corrida. Nada que afecte muito a escola, onde é uma aluna razoável.Na escola, os colegas sabem que corre de mota e chamam-lhe sortuda, por um lado, e um pouco doida, pelo outro. “Muitos deles dizem que também gostavam de correr de mota”, afirma Vanessa.Este ano Vanessa corre com uma Yamaha de 85 cc e disputa o Campeonato Nacional de Motocross e o troféu Rómoto. Na primeira prova desta última competição privada, realizada a meio de Fevereiro, em Frade de Cima, Alpiarça, ficou em nono lugar entre os 13 pilotos da classe de Cadetes 85 cc, todos rapazes, à sua excepção.Jorge Guedes

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