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A segunda vida do Teatro Maria Noémia

A segunda vida do Teatro Maria Noémia

Actores pisam palco do renovado teatro da Meia Via pela primeira vez

Os actores que em 26 de Março vão estrear o renovado Teatro Maria Noémia, na Meia Via, já pisaram o palco para ensaiar. A Câmara de Torres Novas vai tutelar o espaço.

Edição de 15.03.2006 | Sociedade
Em cima do palco acertam-se posições e trauteiam-se frases soltas. Na plateia, espalham-se as primeiras cadeiras e à entrada da sala alguém serra uma tábua de madeira, que servirá para compor o cenário. Nos camarins provam-se figurinos e contam-se histórias de outros tempos. O entusiasmo salta à vista e são poucos aqueles que não elogiam a nova sala de espectáculos da Meia Via, Torres Novas. O Teatro Maria Noémia reabriu as portas no sábado, 11 de Março, aos actores da Associação de Teatro Meiaviense, que pisaram o novo palco pela primeira vez, desde a sua remodelação. Ao público, a sala será apresentada no dia 26 de Março com a peça “Que farei com este livro”, de José Saramago.Sentada na plateia, numa cadeira acabada de desencaixotar, Eulália de Jesus Silva, 76 anos, não esconde a emoção de voltar a entrar no Teatro Maria Noémia. Com os olhos brilhantes e uma lágrima que teima em refugiar-se no canto do olho, recorda o tempo em que ainda pisava os palcos: “Fiz aqui muitos teatros. Esta sala esconde muitos segredos e muitas histórias. Até se arranjaram aqui alguns namoricos”. Desde os 15 anos que faz parte do teatro da Meia Via, mas agora “a cabeça e o ouvido” já não a deixam continuar. Tem pena, mas percebe que “é preciso dar lugar aos mais novos”.O Teatro Maria Noémia esteve fechado durante quase três décadas, mas a população da Meia Via, especialmente os artistas da terra, nunca deixaram de reclamar o espaço. Afinal, aquela casa foi durante muitos anos o ponto de encontro da aldeia e um espaço cultural por excelência.“Era uma pena esta casa estar aqui ao abandono. Há 50 ou 60 anos era aqui que as pessoas se reuniam, porque naquela altura era a única alternativa às tabernas. Tocava-se violino, acordeão, fazia-se teatro e até havia uma biblioteca”, conta Fernanda Maia, representante da direcção da Associação de Teatro da Meia Via. Nunca se atreveu a pisar o palco como actriz, mas garante que acompanha o projecto de perto. Até porque o marido, a nora e as duas netas fazem parte do núcleo de actores daquele grupo. De outros tempos, traz na memória a peça “Amor de Perdição”, onde a irmã, que já faleceu, fez o papel de Teresa.No meio de tanta excitação, alguém lembra que o tempo está a passar. A encenadora, Bibi Perestrelo, pede a presença de todos e começa o ensaio. Primeiro fazem-se alguns exercícios de relaxamento. O objectivo é espantar os medos e agraciar os bons pensamentos. Formados em círculo, movimentam-se suavemente e gritam, como se estivessem numa outra dimensão. De repente, ouvem-se palmas e os actores ocupam os seus lugares em palco. Chegou a hora do ensaio que, segundo a encenadora, “como é tradição, está já condenado ao fracasso”. Primeiro, porque é a primeira vez que vão ensaiar no espaço onde vai decorrer o espectáculo. Depois, porque os actores estão demasiado eufóricos para que se consigam concentrar devidamente no texto.Mas há que acelerar o ritmo. Faltam exactamente duas semanas para a peça estrear e os dois ensaios semanais começam a ser poucos para acertar os ponteiros entre os 18 personagens envolvidos. E o nervoso miudinho já começa a tomar conta dos actores, que olham para esta peça com uma responsabilidade acrescida.“A responsabilidade é maior, porque é uma etapa muito importante no nosso percurso. Há uma grande expectativa em volta da peça que vai abrir as portas deste teatro e por isso as pessoas já começam a estar um bocadinho nervosas”, diz Carlos Constantino, presidente da associação.Carla Paixão
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