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Achados arqueológicos travam Museu do Neo-Realismo

Achados arqueológicos travam Museu do Neo-Realismo

Técnicos descobriram estrada real que ligava Lisboa a Santarém

Uma estrada romana foi descoberta no local onde estava a ser construído o museu do Neo-Realismo em Vila Franca. Os arqueólogos temem que as máquinas tenham destruído algumas peças e vestígios.

Edição de 15.03.2006 | Sociedade
Uma estrada real, possivelmente romana, foi encontrada no local de construção do Museu do Neo-realismo, no centro de Vila Franca de Xira. Os arqueólogos estão a proceder ao registo dos vestígios já encontrados, enquanto procuram novos elementos arqueológicos.A estrada agora encontrada tem, segundo o arquitecto do Instituto Português de Arqueologia (IPA), José Correia, “aspecto de ser romana”. A directora do Museu Municipal de Vila Franca, Graça Nunes, confirma esta possibilidade, acrescentando que há registos históricos que referem a existência de uma via nesta zona que ligava a então “Olissipo” (Lisboa) a “Scalabis” (Santarém).A estrada terá sido também utilizada pela família real para as suas estadias em Povos. No livro “Navegando no Tejo”, editado em 1995 pela Comissão de Coordenação do Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT, é mencionada, por exemplo, a visita de D. João II em 1487 por altura da partida de Bartolomeu Dias do cais de Povos. Uma escultura em terracota, moedas e fíbulas (uma espécie de fivela), que aparentam ser da época medieval, vários objectos de cerâmica comum e restos de uma nora foram entretanto também encontrados. A escultura que representa uma figura feminina é um dos principais achados e encontra-se, segundo a directora do museu municipal “muito bem conservada”. Graça Nunes adianta que depois de estudada, datada e limpa, a estátua ficará exposta no museu municipal. Por não terem sido feitas as sondagens arqueológicas antes do início das escavações para a construção do futuro Museu do Neo-realismo, o arqueólogo do IPA chegou a temer que se tivessem perdido vestígios importantes. No entanto, por se encontrar numa cota muito baixa a estrada real não foi afectada pelos trabalhos entretanto realizados.O IPA mandou interromper os trabalhos de construção do museu há cerca de duas semanas, precisamente por desconfiar que na zona existiriam importantes elementos arqueológicos. Apesar de satisfeito com o facto de as escavações não terem danificado significativamente os vestígios, José Correia acredita que “alguns elementos tenham já sido removidos pelas máquinas”. A presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira explica que os trabalhos de investigação arqueológica foram interrompidos depois de a arqueóloga da câmara municipal ter sofrido um acidente. A autarquia iniciou então o processo de contratação de dois arqueólogos. No entanto, houve, segundo a edil, “um desfasamento” entre a efectiva contratação e os trabalhos de escavação no terreno. Para evitar situações similares no futuro, Maria da Luz Rosinha diz que a autarquia está a ponderar “considerar na revisão do PDM delimitar zonas no concelho em que, pela sua importância arqueológica, sejam exigidos trabalhos de sondagem para qualquer obra que se pretenda realizar”. Sobre a estrada real, a edil diz-se satisfeita pelo estado de conservação e adianta que a autarquia pretende deixar uma parte a descoberto para que os visitantes do museu possam desfrutar do achado.Quanto aos materiais já encontrados e aos que serão ainda descobertos, o arqueólogo do IPA explica que depois de registados serão recolhidos pelos arqueólogos para poderem vir a ser alvo de estudo. Segundo a directora do museu municipal, o trabalho em campo deverá decorrer até ao final do mês de Março, de acordo com o que está definido no plano de trabalho. Em Abril será conhecido o relatório final das investigações realizadas. Sobre a construção do Museu do Neo-Realismo, Maria da Luz Rosinha considera que o atraso provocado pelas investigações “não será significativo”.A construção do museu, que representa um investimento de cerca de 2, 9 milhões de euros, arrancou em Novembro de 2005 e tem um prazo de execução de nove meses. O prazo de conclusão já havia sido prorrogado por 50 dias devido a dificuldades decorrentes de conciliar a obra com o meio envolvente.Sara Cardoso
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