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Os guardas das serras

Os guardas das serras

Equipa da GNR está a funcionar há um ano e já passou 117 autos

Três militares do grupo territorial de Santarém da GNR são especialistas no policiamento de áreas protegidas e têm a seu cargo os mais de 38 mil hectares do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros.

Edição de 15.03.2006 | Sociedade
Vale Mar, Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, concelho de Santarém. A equipa da EPNAZE da GNR, criada para policiar as zonas protegidas, entra numa pedreira de pedra para calçada. Num olhar de relance o cabo Rui Freire detecta que não existe a placa obrigatória com o alvará da exploração. Esta é apenas uma das muitas situações com que se defrontam os militares.As estacas de madeira a delimitar a área da exploração também não estão espetadas no terreno. O cabo, chefe da equipa, dirige-se ao proprietário e avisa-o da infracção. Ao fim de uns minutos de conversa embalada ao som dos martelos de três operários que vão partindo blocos em pequenos cubos de pedra, fica o compromisso que a situação vai ser resolvida antes dos militares passarem pelo local novamente. Rui Freire e os guardas Vasco Lopes e Alberto Freitas metem-se no jipe e seguem uma estrada esburacada ladeada por muros de pedras empilhadas. O tempo ameaça chuva. Não é preciso andarem muito para se descobrir uma pedreira clandestina abandonada. Um enorme buraco ameaça a segurança de quem por ali passa. A GNR nunca conseguiu identificar o dono, que deveria no fim de retirar a pedra tapar a concavidade para permitir o renascer da flora. As pedreiras são apenas uma das actividades que estão na mira dos militares da EPNAZE (Equipa de Protecção da Natureza e do Ambiente em Zonas Específicas). Nos 38.900 hectares de área de intervenção é frequente detectarem-se descargas de efluentes, lixeiras, construções ilegais, caça em zonas interditas, maus tratos a animais.Na ronda pelo parque natural, os três elementos reparam ainda que na zona de Valverde faltam as placas a indicar que aquela zona é uma reserva de caça municipal. Rui Freire puxa do telemóvel e chama o guarda da reserva que não demora três minutos a chegar. O mistério desfaz-se num instante. Andaram a limpar o mato das valetas e as máquinas partiram as estacas que ostentavam as placas. Mas o guarda florestal chama alerta para outro fenómeno que se está a registar. Na localidade de Além da Ribeira (freguesia de Alcanede, concelho de Santarém) há pouco tempo foi encontrado um saco com 30 dísticos e os paus foram descobertos noutras funções: a segurarem cercas para ovelhas. A norte há outra particularidade que está a merecer uma atenção especial dos militares da EPNAZE. Na zona de Minde (concelho de Alcanena) têm vindo a ser encontradas armadilhas artesanais para apanhar javalis, o que é proibido. Os caçadores ilegais colocam laços feitos com cabos de aço nos caminhos dos porcos selvagens. Estes ficam presos pelo pescoço e durante a noite são abatidos a tiro.Num ano de existência a EPNAZE, que tem base no posto da GNR de Rio Maior, já levantou 117 autos de contra-ordenação. As infracções são tantas e o trabalho aumentou de tal maneira que a equipa é obrigada a trabalhar por agenda. Marcam-se dias específicos para determinadas acções de fiscalização.
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