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Passeio saiu caro

Soldado da GNR acusado de abuso de poder por associação de Alcorochel

O soldado da GNR não esteve com contemplações e multou um participante que se encontrava sem capacete e conduzia de luzes apagadas.

Edição de 15.03.2006 | Sociedade
Um guarda da GNR de Torres Novas está a ser acusado de abuso de poder pela Associação Desportiva, Recreativa, Cultural e Ambiental de Alcorochel. Um passeio de moto quatro, organizado pela colectividade com o intuito de promover o concelho de Torres Novas, acabou por custar a um dos participantes três multas no valor total de 600 euros. Uma situação que a organização não entende, já que o local encontrava-se vedado, a actividade estava devidamente licenciada pela câmara municipal e era apoiada pela PSP e bombeiros locais. Mas a verdade é que o jovem foi surpreendido a conduzir sem capacete, de luzes apagadas e com a matrícula do veículo irreconhecível devido à lama.O caso remonta ao fim-de-semana de 4 e 5 de Fevereiro. Segundo João Pedro Gomes, membro da organização, as entradas que dão acesso ao Parque da Rita, local onde estavam concentradas as 80 motas participantes, foram fechadas e o recinto delimitado, para impedir a entrada de outros veículos no local. No entanto, isso não aconteceu e os participantes foram surpreendidos com a visita de um agente da GNR de Torres Novas.“O agente Jaime Nunes deslocou as baias sinalizadoras do recinto e entrou no nosso espaço. Quando um colega nosso foi verificar se estava tudo bem, antes da partida, foi abordado pelo guarda, que lhe chamou a atenção para o facto de não usar capacete, por ter as luzes desligadas e por não se reconhecer a matrícula”, conta João Pedro Gomes.Segundo João Pedro Gomes, nessa altura foi dito ao soldado da GNR que se encontrava num carro civil e sem boné, que o passeio estava devidamente licenciado pela câmara municipal e que a PSP e os bombeiros iam escoltar os participantes até ao final do percurso.“Tentámos fazer-lhe ver que no sábado tínhamos andado no campo e por isso as motas estavam sujas, como é natural. Então, o senhor disse-nos que estava tudo bem, que era só para nos assustar. Aconselhou o nosso colega a pôr o capacete e foi-se embora”, explica João Pedro Gomes.O maior susto aconteceu quando Gonçalo Petronilho, o jovem repreendido pelo guarda da GNR, abriu a caixa do correio, 15 dias depois, e se deparou com três multas para pagar, no valor de 600 euros.“Isto é inconcebível. É claramente uma situação de abuso de poder. Escondeu-se atrás da farda para agir por auto recreação. Porque, apesar de não se poder provar, é do conhecimento geral que esse senhor é completamente contra as motas”, defende João Pedro Gomes.Inconformados, os membros da organização do passeio de moto quatro vão recorrer ao governador civil e ao comandante da GNR, no sentido de contestarem as multas aplicadas a um dos participantes. E, se necessário, dizem, estar dispostos a agir judicialmente contra o agente em questão, que crêem ter actuado de má fé.Entretanto, a Associação Desportiva, Recreativa, Cultural e Ambiental de Alcorochel, já se disponibilizou para pagar a referida multa, mesmo que isso signifique um rombo considerável no seu orçamento.Contactado por O MIRANTE, o comando da GNR de Torres Novas escusou-se a prestar qualquer tipo de declarações sobre o assunto.Carla Paixão

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