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Uma questão de crença

Edição de 15.03.2006 | Sociedade
Não é fácil fazer juízos ou sequer conjecturas sobre um tema que cruza o religioso com o científico. Pelo menos é o que dizem os especialistas contactados por O MIRANTE. Num ponto todos estão de acordo – situações como a de Filipa Mendes não se encontram ao virar da esquina.“É preciso haver uma predisposição para acreditar neste tipo de crenças”, refere o sociólogo Garrucho Martins, desde há muito interessado no poder das crenças junto das pessoas.Em declarações ao nosso jornal o sociólogo refere que este tipo de situações faz parte das crenças religiosas, em que os espíritos agridem e a personificação do mal toma conta das pessoas, levando-as mesmo a agredirem-se a si próprias.“O facto de se dizer que não se acredita nestas coisas é relativo. O problema de acreditar ou não é uma questão de circunstância e grau. Há quem diz nunca ter acreditado e passado a acreditar após a ocorrência de determinadas circunstâncias”, afirma, lembrando o dito de origem espanhola: “eu não creio em bruxas, mas que as há, há”.Em casos como o de Filipa, diz o sociólogo, é trabalhar com a própria crença das pessoas, fazer uma intervenção para a cura aludindo às características do próprio Diabo e das crenças à volta dele.Uma terapêutica que não encontra eco em contextos científicos. Os psicólogos e psiquiatras preferem abordar este tema tão complexo pela vertente dos distúrbios de humor e/ou estados depressivos.Porque, como representantes de uma cultura racionalista encontram sempre uma explicação científica para um fenómeno desta natureza. “Dizer ao doente que não tem nada de sobrenatural pode ser, nestes casos, uma estratégia terapêutica” refere Garrucho Martins.Há no entanto médicos que utilizam as duas vertentes – medicina tradicional e alternativa – na abordagem terapêutica deste tipo de situações, como referiu ao nosso jornal uma psicóloga que pediu o anonimato por “não querer comprometer a carreira”.“Não posso arriscar dizer-lhe se acredito ou não na jovem sem a ver e sem pelo menos fazer duas ou três sessões com ela”, diz, salientando no entanto que apesar de nunca ter visto nenhum caso semelhante, este é um tema que a interessa ao nível da psicologia.“Há casos destes que não se resolvem apenas com a medicina tradicional. Recorre-se muitas vezes à hipnose e à regressão, eu conheço-os mas nenhum médico dará a cara para confirmar isto”, disse a psicóloga.

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