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Ninguém pára o passivo

União Desportiva Vilafranquense deve mais de 3,7 milhões de euros

As últimas contas apontavam para uma dívida de 2,5 milhões de euros mas um relatório da situação financeira do clube, apresentado na assembleia-geral realizada na noite de sexta-feira revela números ainda mais assustadores. O passivo do Vilafranquense atinge 3,7 milhões de euros.

Edição de 21.03.2006 | Desporto
São números verdadeiramente assustadores. O Vilafranquense deve actualmente mais de 3,7 milhões de euros (3.712.697,23 €). O apuramento desta verba foi feito após uma análise cuidada às contas do clube, da responsabilidade do vice-presidente para a área do fomento, Aquiles Rodrigo, que é licenciado em controlo financeiro pelo Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa (ISCAL).O Estado, com 1,273 milhões de euros, entre impostos (IVA e IRC), Segurança Social, juros de mora e coimas, é o maior credor do clube. O valor em dívida a particulares e empresas privadas atinge quase o mesmo valor, cifrando-se em 1,122 milhões de euros. A Lindley Marinas, que construiu a marina fluvial, é, entre estes, o maior credor, reclamando 325 mil euros. A atletas e treinadores o clube deve 56 mil euros. O restante são dívidas variadas a fornecedores, empréstimos bancários, entre outros montantes mais pequenos.No relatório de 17 páginas sobre a situação financeira do clube, iniciado após a tomada de posse dos actuais corpos gerentes (3 de Novembro de 2005), é descrito com algum pormenor o caos financeiro em que o clube se encontra e denunciadas várias irregularidades cometidas por elencos directivos anteriores.Uma das situações que salta mais à vista é a diferença dos valores contabilizados em caixa e que realmente existiam quando o Conselho Fiscal procedeu à contagem física do dinheiro e valores existentes nos cofres do clube, na sede e na sala de bingo.Na caixa respeitante às contas do Desporto, em vez dos mais de 234 mil euros contabilizados, estavam apenas 3,59 euros. Na caixa do bingo, em vez de 98 mil euros, estavam pouco mais de mil. Ao todo, a diferença entre o que se dizia que estava nas caixas e o que realmente lá se encontrava, ultrapassa os 331 mil euros.Outra situação que não está totalmente clara é a dívida ao ex-presidente Machado Lourenço. Há cerca de 133 mil euros que o clube alegadamente deve ao ex-director, mas cujos registos de dívida, segundo o relatório, não estão acompanhados de quaisquer documentos de despesas (facturas, talões e/ou recibos), além de folhas denominadas “Título de Dívida”.Este ponto levou a várias perguntas dos sócios, que questionaram sobre a legalidade desta dívida, ao que Aquiles Rodrigo respondeu que as referidas folhas estavam assinadas pelo ex-presidente e pelo tesoureiro, logo responsabilizam o clube. Recorde-se que sobre esta matéria, a anterior comissão administrativa já exortou Machado Lourenço a apresentar os documentos de suporte a tais dívidas.As diferenças entre as contas apresentadas em assembleia-geral e apuradas pelo fisco também são abismais. Na época de 2000/2001, os sócios votaram um prejuízo de 180 mil euros, mas o fisco reclama um resultado positivo de 345 mil euros. Uma diferença de mais de meio milhão de euros.Pior ainda é o que se passa no exercício de 2001/2002, igualmente da responsabilidade da direcção de Machado Lourenço. À assembleia-geral foi levado um prejuízo de 164 mil euros, mas as contas do fisco indicam um resultado positivo de 619 mil euros.Esta diferença, baseada sobretudo na elevada facturação de serviços prestados e dos consequentes elevados lucros fiscais e na falta de documentação de suporte de despesas, é uma das grandes responsáveis pelos montantes astronómicos em dívida ao fisco. “Estamos a pagar impostos de dinheiro que não existe no clube”, referiu o autor do relatório.Na assembleia-geral chegou a ser referido que alguma desta diferença se justifica pela prática corrente na gestão dos clubes, há alguns anos atrás, de passar recibos de mil euros a quem entregasse 500 euros, por exemplo. Uma situação ilegal à luz da lei.Em forma de conclusão do relatório por si elaborado, Aquiles Rodrigo afirmou que o Vilafranquense está em situação de falência técnica, uma vez que o passivo (3,7 milhões de euros) é superior ao activo (2,6 milhões de euros).Jorge Guedes

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