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Faenas de Inverno I

Afinal, se Deus nasceu numa manjedoura (rodeado de simpáticos bovídeos e pachorrentos “burrideos”) porque é que os autarcas não hão-de despachar nas escadas, rodeados de simpáticos boys (eu disse “boys”, esclareça-se) e pachorrentos acessores?

Edição de 22.03.2006 | Opinião
E passado que é mais um trimestre neste Ribatejo à beira Tejo plantado, a colheita sazonal de dislates (incrementada pela chegada das inexperientes “boyadas”, saídas das ainda recentes eleições) continua saudavelmente em alta. Nem o frio, nem a neve, que tão inesperadamente nos visitou, esfriou a criatividade nunca por demais realçada, da nossa classe política e,.. não só!“Faena meritocrática” para Miguel Noras, condecorado novamente (agora com a Ordem de Mérito) pelo atarefado condecorador militante que Sampaio se veio a revelar neste atribulado fim de carreira. Consta que Noras, confrontado com uma suspeita de redundância medalhística, e após consulta atenta a apontamentos pessoais, terá garantido a pés juntos à imprensa que ainda não possuía aquela medalha!A confusão, pelos vistos, estabeleceu-se com uma consagração semelhante mas respeitante, essa, à “Ordem da Ingenuidade”, conferida recentemente pela APPACDM(P): Associação Portuguesa de Presidentes Artolas de Câmara Corridos, Daí, pela Máquina Partidária!“Faena da redundância”, para o antigo poder autárquico escalabitano (mais uma vez a braços com problemáticas escultóricas) que após inúmeras homenagens e comemorações ao 25 de Abril e a Salgueiro Maia (ou não fosse este o auto-denominado “Município de Abril”), não conseguiu planear atempadamente a transferência da estátua do Capitão de Abril (retirado do lugar por imperativos de restruturação urbana) para outra zona nobre da cidade e, mais impressionante ainda, não impediu que a mesma fosse tratada como lixo nos estaleiros municipais!Não percebo porque é que se cai sempre no mesmo erro! Com tantos erros novos e interessantes que por aí há!“Faena da impotência” para Moita Flores, presidente da Câmara Municipal de Santarém, ao decidir entregar a dita estátua à guarda da Escola Prática de Cavalaria, depois de ter deparado com a dita no mais completo abandono. Reconhece-se deste modo, a câmara, como absolutamente incapaz de tomar conta (mesmo que temporariamente) de um qualquer conjunto escultórico! É assim como que um atavismo municipal de que o novo executivo, pelos vistos, também sofre!E sai mais uma distinção para Moita Flores (esta a “faena da humildade”), que ameaçado de penhora dos móveis do seu gabinete, terá declarado, numa atitude que só tem paralelo na gesta heróica dos nossos maiores; “se for preciso despacho nas escadas!”Exemplo sublime, este, que aconselho vivamente aos outros edis; principalmente àqueles cujas câmaras estão “tecnicamente falidas”.Afinal, se Deus nasceu numa manjedoura (rodeado de simpáticos bovídeos e pachorrentos “burrideos”) porque é que os autarcas não hão-de despachar nas escadas, rodeados de simpáticos boys (eu disse “boys”, esclareça-se) e pachorrentos acessores? “Faena vígara” para João Paulo Almeida, Deputado Municipal do P.S. na Assembleia Municipal de Mação, que pretende embolsar quase 400 contos em despesas de deslocação entre Bruxelas e Mação por ter estado presente numa reunião da dita assembleia!O mais chocante é que nem sequer requereu as despesas da viagem de avião (que fez), mas sim, calcule-se, de viagens de carro que não fez! Isto, de forma a poder ainda embolsar uns 200 contitos mais!Ditoso país que tais políticos tem!Afinal, lá diz o povo na sua proverbial sabedoria: quem não tem vergonha... todo o mundo é seu!“Faena papista” para a concelhia do PS de Mação que, face à problemática anterior, logo se apressou a manifestar a sua mais completa solidariedade ao camarada de partido. Aí se elogia (pasme-se) a postura cívica do dito, não se encontrando outra argumentação senão que o mesmo teria chegado (durante a campanha eleitoral) a manifestar a intenção (vejam só) de oferecer caritativamente, ao erário público, os 50 Euros da senha de presença!É por estas e por outras, que a corrupção entre nós não é crime, muito menos um estigma, mas sim qualquer coisa que se aproxima, inquietantemente, de uma certa filosofia de vida!E, por agora, fiquemos por aqui! Também não há pachorra que aguente muito mais!!E afinal, p’rá semana, cá estamos de novo!

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