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Nem a Resitejo escapou

Credores da Câmara de Santarém tiveram de recorrer ao factoring para verem o dinheiro

Os fornecedores da Câmara de Santarém tiveram de recorrer ao sistema de factoring para reaverem os seus créditos. Até a associação que gere o aterro sanitário onde são depositados os lixos domésticos teve de optar por essa via.

Edição de 22.03.2006 | Política
O recurso ao sistema de factoring por parte dos credores da Câmara de Santarém vulgarizou-se nos últimos anos e a soma de todos os contratos em vigor atinge um valor na ordem dos 20 milhões de euros, dos quais ainda falta liquidar cerca de 11,2 milhões. A cedência dos créditos à banca foi a forma encontrada pelos fornecedores e prestadores de serviços para receberem o dinheiro dentro de prazos aceitáveis. Ou seja, a banca paga aos credores e depois acerta contas com a autarquia.Entre as dezenas de empresas e entidades que recorreu a esse expediente nos dois últimos mandatos para receber os seus créditos encontra-se a Resitejo - uma associação que a própria autarquia escalabitana integra e que gere o aterro sanitário intermunicipal da Chamusca.A dívida acumulada pela Câmara de Santarém obrigou a Resitejo a ceder os seus créditos à banca através de um contrato de factoring no montante de 1,655 milhões de euros. A dívida deve-se ao não pagamento do lixo doméstico recolhido pela autarquia e que é depositado no aterro.Esse é um dos exemplos mais significativos da lista de dezenas de empresas e entidades que recorreram a esse expediente para receber o dinheiro que a autarquia lhes devia. O significado é acrescido por a própria Câmara de Santarém ser associada da Resitejo, ocupando inclusivamente a presidência da assembleia geral. O município escalabitano é ainda o maior produtor de lixo do sistema que engloba uma dúzia de concelhos do distrito de Santarém.Entre as empresas que recorreram ao factoring para receber os seus créditos estão muitas empresas de construção e obras públicas que trabalharam com o município nos últimos anos. Como a João Salvador, António Jorge, José Vieira e Construtora do Lena.Mas há também firmas que se serviram dessa via para recuperar montantes bem menores. Como uma empresa de comunicação do norte que recorreu ao factoring para receber mil euros por uma página de publicidade da câmara no jornal Norte Desportivo a dar os parabéns à Associação de Futebol de Santarém.Os contratos em vigor de factoring têm implicações graves sobre a tesouraria do município. Em Janeiro, só por essa via, a autarquia teve de pagar à banca 1,6 milhões de euros. Mas geralmente a cifra envolvida é menor. A média mensal do ano passado, segundo o vice-presidente da câmara Ramiro Matos (PSD), foi de 700 mil euros.Ramiro Matos diz que, com as medidas aprovadas na última reunião do executivo, há a possibilidade de serem dilatados os prazos de pagamento dos contratos que envolvem maiores encargos para a autarquia. O que permitirá aliviar a tesouraria mensalmente.

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