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Alertar consciências e sacudir mentalidades

Alertar consciências e sacudir mentalidades

Empresários, autarcas e responsáveis pela educação falam sobre o plano tecnológico para a região de Santarém

O plano estratégico para a região serve para pôr as pessoas a pensar e pretende colocar as várias entidades a remarem para o mesmo lado em prol do desenvolvimento.

Edição de 22.03.2006 | Sociedade
Uma semana após a apresentação do plano estratégico de inovação e competitividade para a região de Santarém O MIRANTE ouviu empresários, autarcas, políticos e representantes de instituições que marcaram presença na iniciativa. O objectivo foi aferir da sensibilidade em relação à execução prática das soluções apresentadas pelo estudo elaborado por Mira Amaral e Augusto Medina. Não no calor do momento, mas já a frio.Pelo menos, como referiu o presidente da Renova, a empresa de maior visibilidade na região, o plano serviu “para pôr as pessoas a pensar” e será de certeza útil para se concretizarem alguns investimentos na região.Andrade Tavares está consciente que a sua empresa é um caso à parte no panorama empresarial da região. “Com toda a franqueza a nós o plano não nos vem criar condições para inovar porque isso já fazemos há muito tempo”, refere o presidente da Renova, adiantando no entanto que não se coibirá de utilizar algumas das potencialidades ali inscritas, nomeadamente ao nível da formação.“Não sou político, sou empresário, por isso vou atrás de ideias. E agradaram-me as ideias apresentadas no plano”, refere Luís Pires, administrador da empresa Grão Café, de Abrantes.Para o empresário, o desenvolvimento da região terá de passar por uma nova dinâmica e atitude, inclusive das entidades governamentais. Que afirma rever-se nas palavras do presidente da Nersant quando no seu discurso falou das dificuldades em fazer passar a estratégia delineada para a região junto dos sucessivos Governos. Da morosidade e da burocracia das entidades públicas, que têm feito adiar processos de investimento.Para Luís Pires vale sempre a pena gastar dinheiro no conhecimento se ele depois puder ser utilizado. E, como salientou, “devem-se apoiar projectos pelas mais-valias que podem trazer e não pela cor política de quem os apresenta”.Com a convicção de que nenhum plano é realizável a 100 por cento, o administrador da Grão Café diz que já será uma vitória para a região se se conseguir realizar o máximo possível. “Não sei se o plano vai ter êxito mas se ficarmos parados então é que não terá mesmo”, refere.CRÍTICAS À EDUCAÇÃOComo disse no seu discurso o presidente da Nersant, José Eduardo Carvalho, gerir e implementar processos de inovação, alterar culturas e modelos organizacionais e de gestão, privilegiar redes de aliança e de cooperação nas empresas e, em simultâneo, colocar as universidades e os professores a deixarem de viver sobre si mesmos “é um trabalho hercúleo e quase impossível”.As críticas em relação ao papel desempenhado pelos institutos politécnicos e pelas escolas profissionais da região na interligação com o mundo empresarial teve eco e “espicaçou” alguns responsáveis pela formação superior.O presidente do Instituto Politécnico de Tomar, Pires da Silva, diz mesmo, num texto de opinião publicado nesta edição, que o que Mira Amaral disse da falta de entrosamento dos politécnicos com a comunidade só pode servir para justificar “a eliminação a curto prazo” do instituto a que preside.“Felizmente que existem estudos científicos encomendáveis, Instituições Autárquicas, Científicas e Empresas, dispostas a colaborar com o IPT. Pois, caso contrário, seríamos prisioneiros eternos do nosso atraso atávico, da nossa mentalidade retrógrada”, refere no texto de opinião.Mais contida nas críticas é a presidente do Instituto Politécnico de Santarém. Lurdes Asseiro admite que a relação entre a instituição que preside e as empresas da região “tem debilidades”, faltando ainda estabelecer uma relação de confiança. “Estamos a trabalhar para isso”, salienta, adiantando haver responsabilidades de parte a parte. Mais abertura e maior flexibilidade por parte do tecido empresarial é o que a presidente do IPS pede, para reforçar parcerias. Apesar das convicções de Pires da Silva, a verdade é que os empresários contactados por O MIRANTE consideram que as instituições de ensino superior deveriam estar mais próximas das empresas, pequenas ou grandes. O presidente da Renova, por exemplo, confessa que o contacto com os institutos politécnicos da região não tem sido muito grande. Considerando-se um “liberal” – “quanto menos Estado a interferir na educação, melhor” -, Andrade Tavares refere que, no geral, não há exigência no ensino em Portugal.Apesar disso, acredita mais na formação dada pelas escolas que pelas empresas. “O desperdício na formação profissional é muito grande”.Apenas a JS Gouveia, uma empresa metalomecânica de Santarém, afirmou ao nosso jornal manter uma relação estreita com o ensino superior, neste caso o Instituto Politécnico de Santarém. “Tenho recebido vários estagiários e há um bom entendimento entre a empresa e a instituição”, afirma Zito Ferreira.
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