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Campinos, cabrestos e cavalos não vão à festa

Campinos, cabrestos e cavalos não vão à festa

Proprietários agrícolas recusam participar em protesto contra suspensão de apoios

Agricultores e ganadeiros ribatejanos ameaçam boicotar a Feira da Agricultura e as festas tradicionais da região. É mais um protesto contra a suspensão dos apoios às medidas agro-ambientais e à electricidade verde.

Edição de 22.03.2006 | Sociedade
As festas tradicionais do Ribatejo estão em risco. Os proprietários das casas agrícolas e ganadarias ameaçam não participar na Feira da Agricultura e em todas as festas tradicionais do Ribatejo. A medida confirmada a O MIRANTE por vários ganadeiros e empresários é um protesto contra o não pagamento das compensações por duas das medidas agro-ambientais a que aderiram 26 mil agricultores e contra os atrasos no pagamento dos apoios da electricidade verde que tem preços mais baixos para a actividade agrícola.Se o Governo não alterar a sua posição, os empresários ribatejanos garantem que não vão ceder um campino, um cabresto ou um toiro para as feiras e festas. “Os agricultores estão de luto, não têm vontade de participar em festas e sem dinheiro não podem ajudar as realizações”, explicou Patrícia Fonseca, secretária-geral da Associação de Agricultores do Ribatejo que tem mais de 400 associados.Apesar da associação ser filiada da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), um dos parceiros na organização da Feira da Agricultura, agendada para Junho, Patrícia Fonseca confirma que os agricultores e vendedores de máquinas não irão participar se não houver uma mudança favorável. Antes, o boicote está prometido para a Ovibeja. A decisão de não participar em eventos é uma forma dos agricultores cativarem a opinião pública e para já parece ser uma aposta ganha. O MIRANTE sabe que vários grupos de aficionados e organizadores das festas já se solidarizaram com os protestos dos homens da terra e estão disponíveis para participar em manifestações. As câmaras municipais de Benavente e Vila Franca de Xira aprovaram por unanimidade manifestações de solidariedade e pediram explicações à tutela.António Ganhão, líder do município de Benavente prometeu levar o assunto à Comunidade Urbana da Lezíria do Tejo para que seja tomada uma medida de maior força por parte dos 11 municípios envolvidos e cuja maioria tem festas de grande tradição.A Semana da Ascensão na Chamusca (Maio), Feira de Maio (Azambuja) Festa da Amizade/Sardinha Assada de Benavente (Junho), Festas dos Toiros e do Foral em Salvaterra de Magos (Junho), Colete Encarnado em Vila Franca (Julho) e as festas de Coruche e Samora Correia (ambas em Agosto) são alguns dos certames em risco porque “vivem muito da figura do campinos e dos cavalos, toiros e cabrestos. Rafael Vilhais, empresário agrícola e responsável pela ganadaria dos Herdeiros de Conde Cabral garantiu que, “a manter-se a posição do ministro da Agricultura”, a sua casa agrícola não irá estar representada em nenhuma iniciativa. “Gostamos muito de colaborar com todas as festas, mas este ano vamos boicotar essas festas porque não temos condições para estarmos representados”, referiu. No caso deste agricultor estão em causa cerca de 60 mil euros de apoios que deixam de ser recebidos depois de ter feito um “enorme” investimento. Mas há agricultores prejudicados com montantes superiores a 100 mil euros.Ao aderirem às medidas agro-ambientais, os agricultores investiram num horizonte de cinco anos em maquinaria, análises da terra e da água e assistência técnica. Por outro lado, as restrições ao uso de nitratos e adubos fez com que a produção baixasse e provocou o aumento do consumo de palha por impossibilidade dos animais pastorearem nos restolhos.No início de Fevereiro, o ministro da Agricultura anunciou o indeferimento e devolveu 53 milhões de euros de fundos comunitários que deveriam ser aplicados nestas medidas.O mundo rural ficou indignado e ao protesto dos agricultores juntaram-se os criadores de toiros de lide e de outro gado, empresários do sector da maquinaria agrícola e os vendedores de produtos para a agricultura que estão a arder com os atrasos no pagamento das facturas. Na terça-feira, centenas de agricultores do Ribatejo e Oeste manifestaram-se em Vila Franca de Xira e há já novas medidas de luta anunciadas num plano que deve terminar com “uma grande manifestação nacional de todo o mundo rural”. Nelson Silva Lopes
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