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Recurso a consultas particulares é solução

Marco Filipe não consegue ser atendido num hospital público
Edição de 22.03.2006 | Sociedade
“Parece uma coisa de terceiro mundo, mas a verdade é que não consigo marcar uma consulta para o meu filho num hospital público. É apenas uma consulta de rotina, mas que é imprescindível, porque se a vista direita lhe falta, pode mesmo ficar cego”, desabafa Rogério Filipe, pai de Marco Filipe, um jovem com problemas de visão.Marco Filipe é apenas um número na longa listagem de utentes que aguardam a marcação de uma consulta de oftalmologia no Centro Hospitalar do Médio Tejo. Desde os três meses que é seguido pela consulta daquela especialidade no Hospital de Torres Novas, devido uma catarata congénita que lhe roubou a vista esquerda e do estigmatismo que lhe limita a direita. Aos treze anos, e pela primeira vez, vê-lhe negado o direito de ser assistido por um médico oftalmologista na sua área de residência.A última vez que recorreu à consulta de oftalmologia no Hospital de Torres Novas foi em Dezembro de 2004, altura que foi aconselhado pelo médico a marcar uma nova consulta para um ano depois. Só que já passaram três meses após a data limite para a revisão anual a que Marco se deve sujeitar, no sentido de preservar a capacidade de visão da vista direita. O problema é que na unidade de Torres Novas, hospital da sua área de residência, não há um médico que assegure a consulta de oftalmologia e nas outras unidades do CHMT o seu pedido de consulta não foi aceite.Desde Fevereiro do ano passado que os pais deste adolescente tentam, sem efeito, resolver a situação, mas as suas diligências junto do CHMT, têm-se mostrado infrutíferas.“Primeiro tentámos marcar a consulta em Torres Novas, como era habitual. Mas, a credencial acabou por ser enviada para Tomar, que não aceitou a consulta e devolveu o pedido ao Hospital de Torres Novas”, explica Leontina Filipe, mãe do Marco.É que, no Hospital de Torres Novas, desde Setembro do ano passado que não há médico oftalmologista afecto à consulta. Assim, e como ninguém consegue resolver a situação, os pais do Marco vêem-se obrigados a recorrer a uma consulta particular.“Não posso arriscar esperar muito mais tempo, por isso, como o filho é meu, tenho de ir gastar dinheiro num médico particular. Claro que isso não importa nada ao ministro da Saúde, que não tem de sobreviver com os 500 euros que o meu marido ganha nem com o meu ordenado mínimo”, diz Leontina Filipe.Confrontado com a situação, Silvino Alcaravela, presidente do conselho de administração do CHMT, garante que será encontrada uma solução para o problema com a brevidade possível e que o assunto será devidamente entregue à direcção do serviço de oftalmologia.Carla Paixão

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