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O sonho desfeito de Ricardo Alves

Velocista ribatejano sente-se enganado por responsáveis da Câmara de Abrantes

Ricardo Alves é um dos melhores atletas nas disciplinas mais rápidas do atletismo português mas vive o pior momento da sua carreira. Quis regressar ao Tramagal, clube que o projectou, garante que tinha um acordo com a autarquia para que esta o apoiasse, mas o apoio nunca chegou e teve de desistir dos

Edição de 29.03.2006 | Desporto
O velocista ribatejano Ricardo Alves, actual campeão nacional dos 200 metros em pista coberta, está a fazer uma autêntica travessia do deserto, tendo suspendido a sua carreira de atleta até ao final da época por falta de condições para treinar.Um interregno que não esperava e que pode comprometer a sua carreira, que já conheceu momentos de grande glória, com vários títulos nacionais das distâncias mais curtas do atletismo (60 a 200 metros), onde detém vários recordes nacionais.Tudo começou ainda no ano passado quando se preparava para regressar ao Tramagal Sport União, clube que o lançou na ribalta do atletismo português, e de onde se transferiu para o Sporting Clube de Portugal.Após várias conversas com o presidente e o vereador com o pelouro do Desporto da Câmara de Abrantes, Ricardo Alves diz que ficou acordado que regressaria ao Tramagal e que a autarquia comparticiparia nas suas despesas, ficando ele obrigado a desenvolver actividades com as crianças do concelho.“Falei com presidente e ele mostrou-se receptivo. Dei-lhe o projecto para as mãos. Ele aceitou, falamos através de telefone e de mensagem e tenho inclusive as mensagens dele gravada no telemóvel onde diz para eu ir em frente porque íamos assinar o protocolo”, garantiu o atleta ao nosso jornal.Entretanto passaram os 15 dias da época de transferência, o único período no qual os atletas podem mudar de clube, e Ricardo transferiu-se da equipa leonina, onde poderia ficar mas com menos de metade do salário, para o Tramagal.Só que, segundo diz, aos poucos, o presidente, Nelson Carvalho, e o vereador com o pelouro do Desporto, Manuel Jorge Valamatos, começaram a dar sinais preocupantes para aquilo que estaria acordado. “Eles relegaram-se ao silêncio. Começaram a dar explicações que o orçamento não dava mas diziam que iam arranjar uma solução. Fiquei à espera mas nunca cumpriram o prometido”, queixa-se Ricardo Alves.O projecto que o atleta queria desenvolver era uma espécie de escola de atletismo. “Abrantes tem boas infra-estruturas mas não estão a ser utilizadas. A ideia era ir às escolas e tentar cativar os miúdos para a prática desportiva. O Ano passado em Braga estive envolvido num projecto semelhante em que participaram cerca de meia centena de miúdos”, acrescenta.Além disso, queria trazer a Abrantes alguns nomes conhecidos ligados à modalidade e iria também treinar na pista local, onde poderia ser um atractivo motivador para os atletas mais novos.Em resposta a estas afirmações, Manuel Jorge Valamatos referiu ao nosso jornal que nunca chegou a haver um projecto formal e nega que tenham sido dadas garantias de que haveria um apoio por parte da autarquia.“Abrantes apoiou o Ricardo no início da sua carreira mas a conjuntura actual não nos permite apoiá-lo como queríamos e como ele pretendia”, refere o vereador, acrescentando que estavam em causa “montantes financeiros demasiado elevados”, sem nunca referir qual o valor.Manuel Jorge Valamatos garante que os contactos com Ricardo Alves nunca passaram de conversas e de manifestações de intenções, nunca concretizadas por não ser fácil enquadrar projectos deste tipo nos apertados orçamentos das autarquias.Jorge Guedes

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