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Aterros sem grandes audiências

Sessão de esclarecimento sobre CIRVER na Chamusca com pouca participação

A instalação de dois aterros para resíduos industriais perigosos no concelho da Chamusca não é motivo suficiente para atrair a atenção da população.

Edição de 29.03.2006 | Economia
A população da vila da Chamusca está pouco interessada em obter esclarecimentos sobre os dois CIRVER – Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos Industriais Perigosos - que vão ser instalados no concelho. Numa sessão promovida sexta-feira pela Câmara da Chamusca no Edifício de São Francisco foram mais os técnicos e autarcas dispostos a prestar informações do que os interessados em ficar a saber algo mais sobre o tratamento de resíduos perigosos. Perante as cerca de 15 pessoas presentes, o presidente da câmara, Sérgio Carrinho (CDU), afirmou que, apesar de todas as medidas que estão a ser tomadas, a construção dos dois CIRVER no concelho da Chamusca é uma aposta de risco. “Risco de que temos plena consciência e que tudo iremos fazer para minimizar”, garantiu.Os dois CIRVER – que nesta fase têm o estudo de impacto ambiental em fase de consulta pública - vão ser implantados no Parque Eco do Relvão, freguesia da Carregueira, junto aos aterros de resíduos sólidos urbanos e aterro de resíduos industriais banais já existentes. Na mesma zona vão nascer empresas dedicadas ao tratamento e reciclagem de resíduos diversos, numa área que a autarquia prevê ultrapassar os 1.200 hectares no futuro.Os técnicos dos dois consórcios fizeram a apresentação dos seus projectos. O aterro Ecodeal é formado por um consórcio de capitais maioritariamente espanhóis, vai ter um investimento de 25 milhões de euros, 45 por cento dos espanhóis da FCC, 25 por cento dos portugueses do Grupo José de Mello e 20 por cento do Grupo Nelson Quintas. Prevê criar entre 20 a 40 postos de trabalho. O aterro da Sisav envolve um investimento de 22 milhões de euros. O consórcio é liderado pelos franceses da Sarp/Ónix, que têm 40 por cento do capital. Os portugueses da Sapec têm 35 por cento e a também portuguesa Auto Vila os restantes 25 por cento. Estima criar de 50 a 70 postos de trabalho.Segundo os técnicos, os CIRVER são equipamentos seguros, tratam e reciclam lixos perigosos com técnicas cada vez mais inovadoras e são operados com tecnologias seguras e com grande capacidade de controlo. Fazem o aproveitamento de mais de noventa por cento da matéria que entra nos equipamentos. Só uma pequena percentagem será depositada nos aterros.A apresentação dos técnicos parece ter convencido os poucos interessados presentes. Na sessão de perguntas e respostas, houve muito pouca intervenção. O jovem Ricardo Lucas foi quem colocou algumas questões. Quis saber onde seriam empregues as contrapartidas financeiras e económicas que advirão da instalação destes equipamentos no concelho.Sérgio Carrinho respondeu que uma verba que será paga à cabeça pelas empresas destina-se à construção de um lar da terceira idade na freguesia da Carregueira. O restante vai entrar para o orçamento da câmara municipal, “sendo assim dividido por todo o concelho”. A segurança dos equipamentos e o transporte dos lixos foi outra situação colocada. E aí houve alguma polémica, primeiro porque algumas medidas dependem do Governo. Como é o caso dos acessos. Neste campo, impõe-se a rápida construção dos troços do IC 3 entre Almeirim e Chamusca e entre a A 23 e a nova ponte sobre o rio Tejo junto à antiga fábrica da Spalil. Tal como a resolução do problema da Ponte sobre o Tejo em Constância. Sérgio Carrinho garantiu ainda que vai ser criada uma comissão de acompanhamento. Vai incluir técnicos credenciados, autarcas e elementos da população. “É uma comissão que vai trabalhar a sério. Será criada logo que as licenças sejam dadas, para poder seguir a situação desde a fase de construção dos equipamentos”, afirmou o presidente.Sessões de esclarecimento continuamAs sessões de esclarecimento sobre os CIRVER vão continuar, no dia 31 de Março, pelas 21h00, realiza-se uma sessão na sede da AVUCA na Carregueira. E no dia 7 de Abril, realiza-se uma nova sessão, na sede da Sociedade Recreativa Arripiadense, no Arripiado.

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