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A arte de transformar as pessoas

Vera Nunes concretizou um sonho ao abrir um cabeleireiro em Riachos

Em criança praticava com as bonecas a arte que mais tarde haveria de aprender e escolher para profissão. Vera Nunes, cabeleireira em Riachos, é um caso de sucesso num mercado cada vez mais competitivo.

Edição de 29.03.2006 | Identidade Profissional
O sonho começou a desenhar-se quando era ainda uma criança. As bonecas de cabelos compridos tinham a capacidade de a fazer esquecer-se do tempo. Nessa altura, já andava com a escova, o secador e a tesoura a tiracolo. As bonecas, essas, não as largava até que os cabelos encolhessem graças às brincadeiras que por vezes não corriam tão bem como o previsto. Hoje, Vera Nunes abraça a profissão de cabeleireira com a paixão de quem começa o dia com um sorriso nos lábios. Porque cumpriu um dos grandes objectivos na sua vida: abrir um salão na terra que a viu crescer - Riachos, no concelho de Torres Novas. Aos 16 anos, altura em que completou o 9º ano de escolaridade, Vera Nunes rumou a Santarém para fazer um curso de cabeleireira que mais tarde viria a completar com mais duas formações nocturnas que lhe concederam o grau de Oficial de Cabeleireira. Simultaneamente, começou a trabalhar num salão em Torres Novas, onde deu os primeiros passos na profissão. Agora, passa os dias a lavar, cortar, pintar, secar e pentear cabelos e garante que faz tudo com a maior das satisfações.“Confesso que a primeira vez em que peguei numa tesoura para cortar o cabelo a uma pessoa estava um bocadinho nervosa. Mas nunca deixei de acreditar que ia correr bem. Achei sempre que ia conseguir”, recorda a cabeleireira, que defende a confiança como o maior segredo da profissão.E a verdade é que o medo de arriscar não está escrito no percurso profissional de Vera Nunes. Aos 20 anos abriu um salão de cabeleireiro, juntamente com uma colega. E quatro anos depois lançou-se sozinha num projecto que lhe garantiu algumas noites mal dormidas: “Abrir um salão sozinha é um risco muito grande. De facto senti algum medo e insegurança. Mas hoje sei que valeu a pena”.Com a agenda cheia, Vera Nunes admite que deve o sucesso da profissão ao “passa palavra” dos clientes, mas não deixa de referir o mérito do seu trabalho: “Esforço-me todos os dias para melhorar um bocadinho e para estar à altura das exigências dos clientes. Não se pode parar e é preciso estar constantemente atento às tendências da moda, porque o cabelo é a imagem de marca de uma pessoa”.Numa altura em que a concorrência se apresenta feroz e a competição tende a aumentar, Vera Nunes diz que é preciso preservar os clientes e ser sempre capaz de superar as suas expectativas. “O que há de melhor nesta profissão é conseguir transformar as pessoas e ver a sua satisfação. Quando uma cliente sai deste salão tem sempre de sair mais bonita. Não posso correr o risco dela chegar a casa e ir lavar o cabelo porque não gostou do penteado”, explica a cabeleireira.A primeira etapa para o sucesso está em ouvir o cliente e perceber exactamente o que quer. Depois, é preciso adequar as vontades das pessoas àquilo que realmente as favorece: “Muitas vezes pedem-me para fazer penteados que vêem na televisão e que nem sempre ficam bem na própria pessoa. Por isso, tento sempre moldar o penteado à imagem de cada um”. Apaixonada pelo mundo da moda, Vera Nunes, não restringe a sua carreira às paredes do seu salão. Recentemente foi convidada para representar uma marca de produtos de cabeleireiro em Portugal. Um desafio que agarrou com unhas e dentes, porque lhe permite desenvolver mais a parte artística da profissão.“É um orgulho muito grande. Somos nós que vamos representar essa marca em todos os eventos portugueses. No início do próximo mês já tenho um espectáculo no norte. É muito gratificante e é um sonho que eu também consegui atingir”, conta.Aos 26 anos e com uma carreira consolidada graças a um “grande esforço e dedicação”, Vera Nunes espera ainda vir a atingir outro objectivo: dar formação na área de cabeleireiro. Um projecto que vai ter de ser adiado, até porque durante os próximos meses, a cabeleireira, que trabalha cerca de 10 horas por dia, vai ter de abrandar o ritmo. Grávida de gémeos, vê-se obrigada a rever as suas prioridades. “Não há nada mais importante na minha vida que a minha família e a minha profissão. E eu sei que com vontade vou conseguir conciliar tudo. Quero dar toda a atenção aos meus bebés, mas vou continuar a dedicar-me a 100 por cento ao salão”, assegura Vera Nunes. Carla Paixão

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