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Centro de Dia à espera de mais idosos

Valência da Cáritas de Vila Franca recebe utentes de todas as classes sociais

O Centro de Dia da Cáritas Paroquial de Vila Franca de Xira dá apoio a 28 utentes, mas ainda tem vagas para receber mais idosos. De todas as classes sociais.

Edição de 29.03.2006 | Sociedade
Aproxima-se a hora de almoço. No Centro de Dia da Cáritas Paroquial de Vila Franca de Xira as mesas já estão postas. Quem escolheu não ouvir a celebração da palavra, numa cerimónia improvisada na cozinha da instituição, espera tranquilamente na sala.É o caso de Ivone Garcia, 80 anos. Está sentada no sofá, mãos sobre o colo, atenta a todos os sons. Há dois anos a cegueira limitou a actividade da antiga analista química, habituada ao ritmo acelerado do dia a dia.Quis fugir da solidão das quatro paredes da sua casa, na rua dos bombeiros, e procurou companhia na sala de amigos da Cáritas. São as conversas com os outros utentes que agora lhe enchem os dias. Ivone Garcia não tem filhos. Conta apenas com as visitas esporádicas de uma sobrinha. Mas é pouco para ocupar o fim-de-semana. “Só de pensar que é sexta-feira e amanhã não posso vir para cá já estou a ficar nervosa”, confessa.Para não passar os dias a contemplar o vazio Ivone Garcia pediu para ajudar numa tarefa em que não fosse preciso ver. Agora parte do dia é ocupado a dobrar guardanapos e a colocá-los no envelope de papel para usar à refeição. “É pouco, mas sempre é trabalho que poupo às funcionárias”, explica orgulhosa por sentir-se útil.Ivone Garcia gosta de recordar o tempo em que trabalhava de dia e estudava à noite. Apanhava o comboio para Lisboa às 17h00 e só regressava a Vila Franca de Xira depois da meia-noite.Vive das memórias. Tal como Manuel António e Cristina Maia, 73 e 76 anos. Os problemas de saúde atingiram primeiro a mulher. Manuel António passou a cuidar das tarefas domésticas. Limpava a casa, preparava o almoço e passava a ferro.“Depois caí eu”, explica. A falta de independência levou-os a procurar o Centro de Dia. À semelhança de António Baptista, 82 anos, antigo trabalhador da construção civil, que há 12 anos almoça todos os dias na mesinha de madeira ao canto. Não é homem de grandes conversas, mas admite que dá jeito ter sempre o almoço preparado. Para facilitar a vida aos 28 utentes do Centro de Dia a Cáritas Paroquial serve o almoço e prepara também um reforço para os idosos que não têm possibilidade de preparar jantar, tal como acontece na valência de apoio domiciliário. “Mandamos sopa, pão e uma peça de fruta que serve para quem quer fazer um jantar mais leve”, explica a coordenadora da instituição, Carla Pereira. Quando é preciso a Cáritas providencia o banho e assegura a lavagem da roupa e a higiene da casa.O Centro de Convívio e Centro de Dia da Cáritas Paroquial recebe utentes de todas as classes sociais, mas apoia preferencialmente os mais carenciados. “Se tivermos uma vaga e três pessoas para entrar apoiamos aquela que tiver mais necessidades”, explica Carla Pereira, sublinhando que a instituição acolhe também pessoas de classes mais favorecidas até para equilibrar os custos com os utentes que não podem pagar tanto.A coordenadora lembra que as mensalidades variam entre os 50 e os 170 euros, mas alguns utentes do apoio domiciliário e centro de dia não pagam nada “porque não têm possibilidades”. Para as valências de apoio domiciliário, apoio domiciliário integrado e centro de dia a Cáritas ainda existem algumas dezenas de vagas disponíveis. As inscrições estão abertas para pessoas de todas as classes sociais.Ana Santiago

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