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Vigilantes sem meios para controlar gripe das aves

Equipa de Coruche não tem viaturas nem equipamento de protecção e recolha

Nem sequer um par de luvas ou uma máscara foram fornecidos aos vigilantes para se protegerem no caso de encontrarem uma ave morte potencialmente infectada com o H5N1.

Edição de 29.03.2006 | Sociedade
Os vigilantes da natureza de Coruche não têm meios para cumprir os procedimentos recomendados sempre que lidam com potenciais casos de gripe das aves nos sítios classificados do concelho, considerado zona de risco. Para se deslocarem apenas dispõem de uma mota com mais de 15 anos. Não receberam kits com luvas, batas e máscaras para se protegerem e poderem recolher aves mortas suspeitas de estarem infectadas com o vírus H5N1.O concelho de Coruche foi considerado zona de risco especial para espécies migratórias. O que levou a Direcção-Geral de Veterinária (DGV) a decretar a proibição de aves de capoeira ao ar livre nas explorações avícolas. Na mesma situação está o concelho da Golegã, onde os vigilantes do Paul do Boquilobo também não receberam os kits.A situação é denunciada pelo presidente da Associação Portuguesa dos Guardas e Vigilantes da Natureza (APGVN), José Alberto Carvalho, que é também um dos dois vigilantes dos sítios classificados de Agolada e Monte da Barca, em Coruche.José Alberto Carvalho não tem carro de serviço há mais de um ano e para fazer o seu trabalho tem que se deslocar na sua própria viatura. “Há instruções para reforçar a vigilância por causa da gripe das aves, para evitar que o vírus se alastre no caso de entrar no país. Mas assim é difícil cumprir a missão”, desabafou.Nestas condições, considera o vigilante, “a equipa de Coruche está quase reduzida a nada”. José Alberto Carvalho admite que apenas vai “de vez em quando” fazer vigilância ao açude da Agolada porque tem medo que aconteça mais algum acidente. No ano passado, num incêndio na sua área de intervenção, ficou com o carro bastante danificado num choque com uma viatura dos bombeiros. O presidente da APGVN garante que já enviou várias informações para o Instituto de Conservação da Natureza (ICN) de quem dependem os vigilantes, mas nunca foram atribuídos meios por falta de dinheiro. A situação chega ao caricato da carrinha distribuída a José Alberto Carvalho (uma Renault 4 L com mais de dez anos) estar parada desde Novembro de 2004 à espera de uma reparação para poder ser submetida à inspecção obrigatória. A carrinha estava parada à porta da habitação do vigilante para evitar que fosse vandalizada. Mas há 15 dias a câmara municipal precisou de fazer obras no arruamento e José Alberto Carvalho, com a ajuda do filho, teve que empurrar a viatura para outra zona. Depois de relatar a situação ao ICN, a resposta que obteve é de que a viatura vai ser abatida ao efectivo.O vigilante alerta para o facto do concelho ter cerca de 30 açudes, que podem ser poiso de aves migratórias. Lembra também que o Serviço de Protecção da Natureza (SEPNA) da GNR mais próximo, com kits para “lidar” com a gripe das aves, está em Santarém. A mais de 30 quilómetros. O MIRANTE contactou o ICN através de fax, perguntando quando é que vão ser distribuídos os kits para a gripe das aves e se a viatura que está parada vai ser substituída por outra. Solicitou ainda informações sobre que medidas o instituto tomou para vigiar e prevenir eventuais focos de gripe aviaria em Coruche e na Golegã, mas até ao fecho da edição não obtivemos qualquer resposta.

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