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Vingança servida a tiro

Vingança servida a tiro

Homem armado fere três clientes de um café no Pego

Um ajuste de contas terá estado na origem do tiroteio que lançou o pânico num café do Pego

Edição de 29.03.2006 | Sociedade
Faltavam poucos minutos para as seis da tarde de quinta-feira quando um homem de 28 anos entrou numa pastelaria do Pego, Abrantes, e com uma caçadeira disparou contra quatro clientes que se encontravam encostados ao balcão. Ao que tudo indica, ter-se-á tratado de um ajuste de contas que acabou por deixar em estado grave um homem com cerca de 40 anos, atingido na cara. Outros dois indivíduos ficaram feridos nos braços e pernas.Manuel Paciência, como é conhecido na terra, entrou no café de caçadeira em punho e sem pronunciar uma única palavra apontou em direcção ao balcão. Com apenas um tiro atingiu três homens. Mas não se deu por satisfeito e continuou a disparar enquanto os potenciais alvos se tentavam abrigar da saraivada de chumbo.Maria da Luz, empregada do café, estava a servir um abafado ao balcão quando ouviu um estrondo e uma imensidão de penas a espalharem-se pelo ar. Inicialmente julgou tratar-se de uma ilusão de óptica. Mas rapidamente se apercebeu que as penas eram do casaco de um cliente que se encontrava a seu lado já a esvair-se em sangue. “Escondi-me atrás do balcão, peguei no telemóvel e chamei o 112. Entretanto, as pessoas começaram a fugir para a casa de banho e para a cozinha e quando eu espreitei estava tudo cheio de sangue”, conta Maria da Luz, ainda mal refeita do susto.Na pastelaria estavam cerca de dez pessoas, entre as quais Carla Vicente e o marido, Luís Miguel. Estavam a tomar café numa mesa ao fundo da sala quando ouviram os tiros. O casal garante que escapou por pouco: “Quando o senhor que foi atingido na cara fugiu para a casa de banho, passou mesmo ao nosso lado. E ele continuou a disparar. A nossa sorte foi que os cartuchos estavam molhados, senão a desgraça era ainda maior. Ele matava-nos a todos”.Ainda perturbados com o sucedido, não se esquecem dos minutos de terror que viveram e que lhes pareceu uma eternidade. Luís Miguel foi dos primeiros a aperceber-se da situação e gritou para que todos se deitassem no chão: “O meu marido agarrou-me num braço e atirou-me para o chão. Ainda ficámos uns segundos sem saber o que fazer, e depois fomos a rastejar até à cozinha”, conta Carla Vicente.Uns esconderam-se na cozinha, outros na casa de banho e os restantes atrás do balcão. Enquanto isso, Manuel Paciência saiu para a rua e manteve-se em frente à pastelaria sem largar a caçadeira. Nessa altura, ainda teve tempo de ir a outro café comprar dois maços de cigarros, sempre com a arma carregada, e voltar a disparar contra a parede da pastelaria. No interior do café, estava instalado o pânico. Do lado de fora, quem passava olhava incrédulo o homem sentado em frente à pastelaria, na rua principal do Pego, de caçadeira nos braços. Só quando a GNR chegou ao local, acompanhada pelos bombeiros de Abrantes e por uma equipa do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Manuel Paciência pousou a arma no chão. Sem oferecer resistência entregou-se e foi presente ao Tribunal de Abrantes no dia seguinte, tendo-lhe sido decretada prisão preventiva.No Pego não ficaram dúvidas quanto à justificação do tiroteio. Segundo relatos de populares, Manuel Paciência é suspeito de estar envolvido no furto de um motor de rega a um dos homens que se encontrava na pastelaria e que, supostamente, terá espancado o suspeito com a ajuda de mais três amigos. O tiroteio terá surgido como forma de vingança.Carla Paixão
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