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Viagem pela história de Vila Franca

Registo prova que a primeira cesariana foi feita na localidade em 1733

Foi em Vila Franca que se realizou a primeira cesariana portuguesa. Esta é apenas uma das curiosidades que a reportagem de O MIRANTE encontrou numa viagem pela história no arquivo municipal.

Edição de 05.04.2006 | Cultura e Lazer
Atravessada a porta do discreto edifício sede do Arquivo Municipal de Vila Franca de Xira, entra-se num mundo onde a história do concelho de Vila Franca de Xira está comprimida, na medida do espaço disponível. Manuela Côrte-Real é a coordenadora da divisão criada há dois anos e que tem ainda um longo caminho a percorrer. O arquivo funciona ao fundo da Rua Reynaldo dos Santos, perto do hospital. Data de 1514 o documento mais antigo que se encontra no arquivo municipal. Trata-se de um registo de bens de capela e pertence ao rol dos documentos do extinto concelho de Povos. Num papel amarelecido pelos quase 500 anos que passaram, numa caligrafia ilegível aos olhos do comum mortal desvenda um pouco daquilo que eram as relações entre os mais abastados e a Igreja. O arquivo municipal divide-se em arquivo corrente, com documentos até cinco anos, arquivo intermédio, até 40 anos, e arquivo histórico. Este é o que exige mais cuidados por parte dos responsáveis e também o que desperta mais interesse pelas descobertas que proporciona. Ao lado de documentos arrumados em estantes repletas e com um reduzido espaço entre si, está a documentação que sobreviveu dos restantes concelhos que já existiram: Alverca, Alhandra e Castanheira do Ribatejo. Lurdes Pina, a responsável pelo arquivo histórico, recorre às escadas para retirar das últimas filas de uma das estantes um imponente e precioso livro para o arquivo. São os Registos Gerais da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira do ano de 1733.Ainda em bom estado de conservação, o livro dá a conhecer uma Vila Franca de outros tempos. Aliás, como explica Manuela Côrte-Real, os livros dos registos gerais da câmara permitem seguir a história do concelho já que na altura tudo o que se passava no concelho era aqui registado. Foi, por exemplo, através da consulta dos registos gerais de 1733 que a coordenadora do Arquivo Municipal confirmou que a primeira cesariana feita em Portugal foi realizada em Vila Franca, nesse mesmo ano. Manuel Côrte-Real está segura que se a divisão tivesse tempo de analisar atentamente os registos gerais da câmara dos vários anos ali existentes outras coisas espantosas se iriam descobrir. Por falta de tempo, este trabalho de pesquisa é feito muito lentamente, mas sempre com resultados. Na semana passada, um foro de 1853 revelou que na Quinta do Paraíso existiu em tempos uma casa senhorial com edifícios do século XV e XVI. Uma descoberta importante para o chamado fundo local, onde se encontra “tudo o que é de interesse local do concelho”, segundo explica Odete Belo, a responsável pelo fundo.A maioria dos documentos que, actualmente, se encontram nas instalações principais do arquivo municipal é processos de obras do departamento de obras da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Actas, ofícios e outros documentos integram, também o espólio do arquivo corrente e do intermédio. A razão está na falta de espaço dos respectivos serviços.O conjunto de documentação existente no edifício sede do arquivo é apenas uma pequena parte, já que muitos documentos estão espalhados por diversos espaços no concelho: em Castanheira, Alverca e Vila Franca de Xira. O arquivo histórico está aberto ao público desde 1997, mas a procura está aquém daquilo que as suas responsáveis gostariam. Agora que são uma divisão e com um regulamento novo, Manuela Côrte-Real espera que o arquivo municipal ganhe mais visibilidade. Porque é importante conhecermos a história da nossa terra. Entre os projectos para o futuro, e para que se torne mais atractivo, o arquivo municipal anseia por novas instalações e espera poder candidatar-se ao Programa Operacional Sociedade da Informação (POSI) para disponibilizar documentos através da Internet. O arquivo pode ser visitado de segunda a sexta-feira das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30. Sara Cardoso

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