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Descarrilado Manuel Serra d’Aire

Edição de 05.04.2006 | E-mails do outro mundo
Depois daquele drama ferroviário que expuseste no teu último escrito fiquei com lágrimas nos olhos. Tem cuidado, porque com esses dotes de argumentista ainda acabas como presidente de câmara. E eu bem sei o quanto tu abominas a política. Por isso juizinho…A homérica odisseia do Museu Nacional Ferroviário do Entroncamento é um caso de estudo interessante. Porque de tanto se escrever e falar do dito cujo já há muita gente convencida que o mesmo existe. O que aliás é sintomático dos tempos que vivemos. Quem não aparece esquece. Diz o ditado. E o museu farta-se de aparecer nos jornais e rádios.Faz-me lembrar aquelas personagens que se agarram à máxima “bem ou mal falem de mim” para continuarem à tona da espuma dos dias. Embora na verdade também não existam, porque são tão vazios de substância como o citado museu. É gente que vive numa espécie de País das Maravilhas. A chatice é que, mais tarde ou mais cedo, a realidade troca-lhes as voltas. Aliás os conflitos com a realidade não são exclusivos dessa gente. Também eu por vezes vivo num mundo muito próprio, onde não há portugueses, concursos televisivos idiotas, gente a cuspir para o chão, cães a cagar nos jardins incentivados pelos donos e pavilhões cheios para ver os D’zrt ou o Tony Carreira. Eu também gostava, por exemplo, que os modelos que vemos na TV fossem mulheres com curvas e carne q.b. e não autênticas tábuas de passar a ferro. Mas isso era o que eu queria, matronas que enchem os olhos, tipo Gina Lollobrigida ou Raquel Welch, e não gente escanzelada que não tem rabo onde se possa pôr a mão... Quem devia sentenciar as tendências da moda, quem devia escolher as modelos é quem gosta de mulheres e não gente de masculinidade duvidosa e virilidade de um eunuco. Podem-me chamar troglodita, marialva, reaccionário e o mais que se lembrarem que não me demovem. Há áreas em que certas tendências pessoais são incompatíveis com o exercício de certas funções. Um cleptomaníaco não pode ser ministro das Finanças (embora por vezes tenha dúvidas). E um sócio do FC Porto não pode ser presidente do Benfica (embora haja excepções).Por isso, colocar um tipo de masculinidade vacilante a fazer um casting para uma agência de modelos femininos é o mesmo que me porem a mim a escolher o plantel do Benfica. Imagina o que não seria: só lá entravam coxos e pernetas (quanto aos que já lá estão, juro que não fui eu que os escolhi). Fulgurante Manel, se este mundo não fosse um vale de lágrimas o presidente da Câmara de Torres Novas já tinha passado a fase das irrelevantes funções autárquicas e estaria – no mínimo e com todo o mérito - a estagiar junto de quem sabe no Irão ou na Coreia do Norte para exercer cargos mais relevantes. Porque por cá o talento inato do grande timoneiro António Rodrigues está a ser desperdiçado ingloriamente e tem sido muito injustamente incompreendido. Um homem que impõe a lei da rolha aos seus vereadores, que quer, pode e manda, que chama para seu assessor o presidente da assembleia municipal ou tenta limitar com tiques autoritários o trabalho dos jornalistas merece muito mais do que ser presidente da Federação Distrital de Santarém do PS. Arranjem-lhe uma ilha (de preferência deserta e bem longínqua) e deixem-no governar em paz com quem o quiser aturar e como só ele sabe…Saudações democráticas do Serafim das Neves

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