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“Só resulta o que se faz com paixão”

Edição de 05.04.2006 | Entrevista
Um cavalo negro passa em frente à janela rasgada a toda a altura da parede da sala. Teresa Schönborn fala em castelhano ao telemóvel. Depois de desligar acende mais um cigarro. A seguir ao picadeiro começa uma vinha. A manhã está cinzenta.A sala onde nos encontramos é ampla e tem um pé direito muito alto. O chão é feito das pedras que seguravam os arames das vinhas, ardósia. As paredes à nossa frente são brancas. As que estão nas nossas costas verdes. Há mobiliário antigo em madeira. Um espelho imenso com moldura dourada. Numa das paredes quinze quadros colocados simetricamente com gravuras de cachos de uvas e parras de diferentes castas. Estamos sentados em sofás. A Condessa de Schönborn-Wiesentheid, administradora da Casa Cadaval, tem um sorriso franco. Uns olhos grandes que se mostram generosamente e que por vezes transmitem a tranquilidade de um bosque no Outono. Veste calças azul-escuro e um casaco de malha azul acinzentado sobre uma camisola de gola cor-de-rosa. Dois anéis no mindinho da mão esquerda. Calça sapatos rasos.“Sou casada com a Casa Cadaval”, diz a certa altura. Tem cinquenta anos que lhe vincam o rosto quando fica séria. A morte da avó, Olga Cadaval e da mãe, Graziela, deixaram marcas mas há um interior apaixonado que vem à tona com frequência em expressões adolescentes. Mais à frente concorda com a impressão que transmite. “Tudo o que se faz com paixão resulta. O que se faz por obrigação não sai bem”.A simplicidade desarmante que revela ao longo do encontro com os jornalistas contrasta com o seu aspecto físico. É uma mulher alta e forte. Um corpo que confirma a ascendência germânica. Ilumina-se quando fala da avó, a famosa Marquesa de Cadaval. É junto ao busto dela, na loja dos vinhos que faz questão de posar quando lhe pedimos para fazer mais algumas fotos. “Era uma mulher extraordinária que eu adorava”, justifica-se.

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