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Contra o fim da urgência pediátrica

Contra o fim da urgência pediátrica

Câmara de Torres Novas contesta política de esvaziamento do hospital da cidade

As declarações do coordenador da Administração Regional de Saúde a O MIRANTE, sobre a possível centralização dos serviços de urgência pediátrica em Abrantes, motivaram uma reacção contundente da Câmara de Torres Novas.

Edição de 05.04.2006 | Sociedade
Falta de ética profissional e desrespeito pelo trabalho dos profissionais adstritos ao serviço de Urgência Pediátrica do Hospital Rainha Santa Isabel (HRSI) de Torres Novas. É desta forma que o executivo da Câmara de Torres Novas classifica as declarações prestadas a O MIRANTE pelo coordenador da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, António Branco, que admite a centralização em Abrantes dos serviços de Urgências Pediátricas que funcionam nas três unidades do Centro Hospitalar do Médio Tejo – Abrantes, Tomar e Torres Novas.A Câmara Municipal de Torres Novas aprovou por unanimidade uma moção na qual contesta o possível fim das urgências pediátricas na cidade e onde exige uma “reapreciação urgente a todo o processo de distribuição de valências” no Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT).A capacidade operacional dos três hospitais tem vindo a mostrar-se muito superior às necessidades. Uma situação que está a levar à extinção de alguns serviços devido à falta de profissionais e a obrigar a alterações na estratégia de distribuição de valências. Na última reunião pública do executivo municipal, no dia 28 de Março, o presidente da câmara, António Rodrigues (PS), disse estar “farto” do secretismo em que está envolto o processo de reestruturação do Centro Hospitalar do Médio Tejo e das “investidas no esvaziamento” do hospital da cidade.Perante esta situação, o executivo camarário pediu uma reunião na Secretaria de Estado da Saúde para impor a permanência do serviço de Urgência Pediátrica no Hospital de Torres Novas. E propõe ainda a criação de uma comissão de acompanhamento da gestão hospitalar, representativa dos municípios que compõem a Comunidade Urbana do Médio Tejo.A Câmara de Torres Novas recorda que existe um “Plano de Desenvolvimento para a Pediatria no Médio Tejo”, defendido entre os técnicos, que aponta para uma “solução de consenso de distribuição de especialidades de assistência pediátrica em equilíbrio pelas três unidades”. E aduz que o serviço se tem vindo a apetrechar de “equipamentos e serviços progressivamente mais especializados e modernizados”, nomeadamente nas áreas pediátricas de cardiologia, nefrologia, imunoalergologia ou consulta de neurodesenvolvimento. “Não restarão assim dúvidas que caso desmontem o actual sistema com a transferência do serviço de urgências para Abrantes, ficaremos altamente ‘mutilados’ na eficácia assistencial e operacional”, considera a autarquia. “Começo a estar fartodesse indivíduo”Assumindo a incapacidade de encontrar um “consenso político” com a tutela nesta matéria, o executivo acusa a ARS de não atender às necessidade da população, querendo ignorar que o serviço de Urgência Pediátrica do hospital de Torres Novas “é o que possui no Médio Tejo o maior número de consultas diárias” - cerca de 80 crianças. António Rodrigues garante que a autarquia vai “encetar um processo com alguma dureza” no sentido de defender os interesses dos utentes do HRSI e tece duras críticas a António Branco: “Nós já começamos a conhecer as pessoas e são as pessoas que fazem as políticas. E eu começo a estar farto desse indivíduo. Além disso, há uma tremenda falta de respeito com as entidades locais”, diz o autarca.Quanto ao facto dos pais optarem por recorrer ao serviço de urgência pediátrica do Hospital de Torres Novas, em detrimento dos centros de saúde, a autarquia entende a situação como “o maior elogio” para os profissionais desse serviço. “E se existem dúvidas sobre a gravidade dos casos que ocorrem à urgência pediátrica, será então importante repensar porque é que não são utilizados outros sistemas alternativos de consulta”, refere a moção.Carla Paixão
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