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Médicos não querem trabalhar na região

Sub-Região de Saúde apenas conseguiu contratar quatro clínicos novos

Dois concursos para preencher 17 lugares de médicos de família em centros de saúde da região só captaram quatro novos clínicos.

Edição de 05.04.2006 | Sociedade
No ano passado foram abertos dois concursos internos para a colocação de médicos de clínica geral em alguns centros de saúde do distrito de Santarém. A intenção era atenuar a falta de médicos de família que se sente nalguns pontos, mas apenas se conseguiu contratar quatro novos médicos para os 17 lugares em aberto. Os concursos proporcionaram sobretudo a transferência de clínicos de alguns centros de saúde para outros. O efeito positivo da captação de quatro novos médicos para o distrito, vindos das sub-regiões de Leiria, Faro, Évora e Lisboa, foi atenuado pela aposentação de três clínicos que exerciam funções nos centros de saúde de Almeirim, Rio Maior e Torres Novas. Contas feitas, o saldo positivo foi apenas de um médico. Com a movimentação de médicos que já exerciam a profissão nas unidades do distrito, houve alguns estabelecimentos de saúde que viram aumentar a lista de pessoas sem médico de família. Os centros que ficaram em pior situação foram os de Almeirim e de Torres Novas.Do quadro do Centro de Saúde de Almeirim saíram dois médicos para Coruche e Rio Maior e outro aposentou-se. Em troca o centro apenas recebeu um profissional vindo de Évora.Feitas as contas o centro perdeu um médico. Situação que afectou a extensão de saúde de Fazendas de Almeirim onde actualmente a lista de pessoas sem médico de família é de 2.800. A solução passa por deslocar um médico do Centro de Saúde de Almeirim para Fazendas duas vezes por semana para colmatar a falha. De resto quem não conseguir consulta tem que recorrer ao atendimento complementar em Almeirim. A directora do Centro de Almeirim, Marília Boavida, disse a O MIRANTE que não pode deslocar mais nenhum médico para Fazendas porque também se sente a falta de clínicos na sede de concelho, onde existem 2.900 pessoas sem médico de família. De Torres Novas saíram três médicos, dois para Alcanena e um para o Entroncamento, e outro aposentou-se. Em contrapartida o estabelecimento de saúde não viu a sua equipa reforçada com nenhum médico oriundo de outro centro. Neste caso a saída dos profissionais deixou os habitantes de Ribeira Branca, Pedrógão e Meia Via sem médicos nas suas extensões de família. Na lista de movimentações há ainda uma médica que saiu de Santarém para Benavente. Entre os centros de Saúde do Cartaxo e de Rio Maior houve uma troca de médicos. E o centro de Salvaterra de Magos recebeu um médico vindo da zona de Lisboa. Para o coordenador da Sub-Região de Saúde de Santarém, Fernando Afoito, a mobilidade dos médicos está relacionada com o facto dos médicos que por vezes estão colocados em determinados centros de saúde procurarem ir trabalhar para unidades mais próximas da residência. Os estabelecimentos de saúde que ficaram a ganhar mais foram os de Rio Maior e Salvaterra de Magos. “Em Rio Maior houve um ganho significativo e desde segunda-feira o centro de saúde passa a garantir o atendimento em todas as suas extensões no concelho, algumas que já não tinham médico há três anos”, disse Fernando Afoito a O MIRANTE.O responsável considera que no global a situação de desequilíbrio melhorou. Uma vez que, explicou, a situação de Rio Maior era a mais complicada. Em Fevereiro o centro de saúde local tinha 7.200 utentes sem médico. A entrada de um médico em Salvaterra de Magos é considerada também uma mais valia para o coordenador da Sub-Região de Saúde. No concelho havia quase dois mil utentes sem médico de família e “quase de uma assentada que se resolve o problema”, salientou.

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