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Os segredos de Rodrigues

Moradores do Rossio indignados com a falta de explicações do presidente da Câmara de Torres Novas

O presidente da Câmara de Torres Novas recusa dar informações sobre um projecto de requalificação urbana aguardado há anos pelos moradores.

Edição de 05.04.2006 | Sociedade
Os moradores do Largo General Humberto Delgado, em Torres Novas, estão cansados de ver aquele espaço transformado em estaleiro municipal. Já passaram vários anos desde que o projecto para o Rossio de Sebastião, como é conhecido, foi apresentado à população, mas as obras continuam por fazer e as intenções ficam-se pelo papel. Quem ali vive, diz-se indignado com o secretismo em que está envolto o projecto e lembra à autarquia que tem o direito de saber o que se passa à porta das suas casas.Há cerca de sete anos, o presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, António Rodrigues (PS), anunciou que a passagem do milénio seria assinalada com pompa e circunstância junto à torre que está prevista construir no centro daquele largo. Mas, desde essa altura, as únicas elevações que se avistam são as de terra e alcatrão, provenientes de outras obras da cidade e de antigas estradas que por ali passavam.Na altura em que o projecto para o Rossio de Sebastião foi tornado público, previa-se que fossem privilegiados os espaços verdes e os edifícios modernos. E a ideia até agradou à população. Só que agora ninguém sabe se o projecto se mantém, se existem alterações, nem quando é que as obras estarão concluídas.As dúvidas instalam-se e parecem não ter resposta por parte da autarquia que se escusa a esclarecer a população e também o nosso jornal. No Verão, os moradores têm de se sujeitar às consequências da poeirada. E no Inverno ao incómodo provocado pelo lamaçal.Américo Marques vive há mais de trinta anos no largo do Rossio e garante que os problemas que ali se registam não são de agora. Primeiro eram as feiras que lá se realizavam e que não agradavam aos moradores. Agora é o pára–arranca com obras que parecem não ter fim à vista. Há duas semanas, quando viu os funcionários da câmara chegarem e as máquinas começarem a mexer, pensou que era desta que as obras avançavam. Foi por isso que decidiu confrontar o presidente da câmara, com um abaixo–assinado que reúne mais de uma centena de assinaturas dos moradores do largo do Rossio, a pedir esclarecimentos acerca das obras que ali se vão fazer. “Fomos à reunião de câmara, mas saímos de lá na mesma. Nós temos o direito de ser informados acerca do que aqui vai ser feito. Mas parece que está tudo no segredo dos deuses, porque ninguém nos sabe responder. A única coisa que disseram foi que estavam a começar a calcetar o largo”, lamenta Américo Marques.Também Lucinda Ramos se mostra insatisfeita com o rumo que estão a levar as obras no Rossio. Desde há 22 anos que vive no Largo General Humberto Delgado e garante que aquela já foi uma das zonas “com mais vida na cidade” e que agora permanece esquecida pela autarquia. “Nós somos humanos e precisamos de condições de habitabilidade. Só queremos que olhem por nós e vejam a vergonha em que se transformou este largo. Digam-nos ao menos o que é que vai ser feito”, apela a moradora.O MIRANTE tentou obter junto da Câmara Municipal de Torres Novas alguns esclarecimentos quanto ao projecto em questão, mas não obteve qualquer resposta ao fax que enviou, nem aos telefonemas que fez. Um procedimento que infelizmente é habitual e que parte de ordens do presidente do município.Carla Paixão

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