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Um abraço às crianças com leucemia

Iniciativa dos alunos da Escola Alves Redol de Vila Franca

Alunos da Escola Secundária Alves Redol, de Vila Franca de Xira, decidiram dar às crianças com leucemia um dia diferente. Sensibilizar a comunidade para a doença e angariar fundos para a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) foram também objectivos da iniciativa.

Edição de 05.04.2006 | Sociedade
A tarde de domingo teve um sabor especial para o pequeno Filipe Anjo. Teve a honra de marcar a grande penalidade que empatou, a quatro bolas, o jogo de futsal entre os alunos da Escola Secundária Alves Redol e a Casa de Pessoal do Hospital Reynaldo dos Santos, realizado no pavilhão da escola. Para Filipe marcar o golo foi “canja” já que gosta muito de jogar à bola.Natural de Torres Vedras, Filipe Anjo, de sete anos tem leucemia. Ele foi uma das crianças que deixaram o Instituto Português de Oncologia (IPO) por uma tarde e que passaram um dia diferente em Vila Franca de Xira. Ruben Ferreira tem dois anos e meio e é, segundo o pai, um apaixonado por futebol. Por isso, apesar do cansaço, Carlos Ferreira considera que assistir ao jogo foi muito importante para o pequeno Ruben. Foi em Novembro que os pais, do Cacém, descobriram que o filho tinha leucemia e até agora os seus dias têm sido passados no IPO, entre o choque e a luta para enfrentar um conjunto de tratamentos altamente agressivos. Esta foi a primeira grande saída do Ruben, que os pais esperam que ajude à sua recuperação. Maria da Luz Santos, de Alverca, veio com a filha Elena Santos Rodrigues de 16 meses para a distrair, bem como a si própria. A leucemia foi diagnosticada à menina há cerca de cinco semanas, numa consulta de rotina, e nesse momento “foi como se o mundo tivesse desabado”. Depois dos tratamentos de quimioterapia, a pequena Elena vai agora começar os de radioterapia, que terão uma duração de dois anos. Foi para colocar um sorriso nas crianças com leucemia e para despertar consciências uma turma de alunos do 10º ano do ensino nocturno da Alves Redol decidiu criar “Um dia diferente”. Com esta ideia “pioneira e construtiva”, Ivo Sousa, um dos alunos organizadores, diz que pretendem, também, que “as pessoas comecem a olhar para a escola como um meio para intervir na sociedade”. A directora da turma que organizou a iniciativa, Manuela Fernandes, explica que desde o início a ideia era angariar fundos para doar a uma instituição que não recebesse apoio estatal. Acabou por ser escolhida a APCL, com as actividades de domingo a dirigirem-se para as crianças afectadas pela doença. Para a secretária-geral da APCL, Maria José Andrade, o convívio proporcionado às crianças foi o aspecto mais importante da iniciativa. “Tudo o que seja sair da rotina, em ambiente de festa é óptimo. Nestas doenças o amor é muito importante”, acrescenta. Para a Casa de Pessoal do Hospital Reynaldo dos Santos foi “um prazer” poder dar o seu contributo. Nuno Sousa, membro da direcção, foi um dos funcionários do hospital que entrou em campo para defrontar amigavelmente os alunos da Alves Redol e diz-se feliz por ter proporcionado e vivido também um dia diferente. No domingo foram sorteados os quadros oferecidos por anónimos e a camisola do Sport Lisboa e Benfica assinada por todos os jogadores, cuja venda de rifas que teve lugar reverte agora para a APCL. Ao leilão vai também a camisola autografada do Sporting Clube de Portugal. No final do lanche oferecido pela escola, os pequenos mostravam já sinais de cansaço, inclusive o marcador de serviço, Filipe Anjo. As prendas reservadas para o fim, sobretudo o aquário com peixes oferecido a cada uma delas, conseguiram ainda arrancar alguns sorrisos às crianças. Filipe prometeu dar de comida aos seus peixinhos, “mas não muita para não rebentarem”. Sara Cardoso

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