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De olho nas indemnizações

De olho nas indemnizações

Trabalhadores da Metalgrupo querem que os terrenos da empresa falida sejam classificados como urbanizáveis

Os trabalhadores defendem que o terreno terá maior valor aquando da venda em hasta pública se for classificado como urbanizável. Mas a Câmara do Cartaxo diz que a “especulação imobiliária” não é solução no actual PDM.

Edição de 12.04.2006 | Sociedade
Cerca de 20 ex-trabalhadores da falida metalúrgica Metalgrupo foram à última reunião do executivo da Câmara do Cartaxo sugerir que os terrenos onde a empresa está implantada devem ter a classificação de urbanos. Uma forma de os valorizar e assim garantir que a receita obtida na hasta pública de venda dos bens da empresa chegue para lhes pagar as indemnizações a que têm direito. Um dos elementos do grupo defendeu, durante a reunião que decorreu em Vila Chã de Ourique, que a maior parte dos ex-trabalhadores está a favor da alteração da classificação dos terrenos da empresa de industrial para urbanizável no âmbito do Plano Director Municipal (PDM) do Cartaxo.“Se os terreno forem classificados como urbanizáveis os trabalhadores têm mais hipóteses de receber as indemnizações a que têm direito quando os bens forem vendidos em hasta pública”, sustentou António Neves.O ex-funcionário da empresa, que ali laborou durante 26 anos, lembrou que não têm aparecido interessados em adquirir as instalações e maquinaria para dar continuidade à actividade industrial. Exemplificou ainda que a empresa Moali também ficou num terreno classificado como industrial quando faliu e se mantém há muitos anos “entregue aos ratos”.“A Metalgrupo tinha muito dinheiro no banco há seis anos. De repente, aparece com prejuízos de 15 milhões de euros, entra em falência e nem sequer deixou ordenados por pagar. Só não se sabe onde foi parar o dinheiro”, questionou.O vice-presidente da Câmara do Cartaxo, Pedro Ribeiro (PS), lembrou que mesmo que o terreno fosse alterado pela autarquia em regime simplificado no PDM para poder ser urbanizado, o processo levaria sempre cerca de seis meses a ser apreciado e sem garantia que fosse aprovado pelo Governo. O líder da autarquia, Paulo Caldas (PS), manteve a posição de não considerar necessário alterar a classificação dos terrenos no actual PDM mas recordou que tudo está em aberto em relação à próxima revisão, que deve ficar concluída até final de 2007.Os vereadores do PSD mostraram-se solidários com os trabalhadores da Metalgrupo. Manuela Estêvão defendeu que, depois de estudado o assunto, é favorável a que os terrenos da Metalgrupo sejam utilizados com fins imobiliários para que os trabalhadores possam garantir as suas indemnizações. Manuela Estêvão recordou que, em 30 anos, a gestão socialista da câmara, não criou zonas industriais e emprego no concelho. E sugeriu que se esqueça a hipótese de a empresa instalada no Pinhal da Rola, em Pontével, venha a absorver parte da mão-de-obra que saiu da Metalgrupo. “Essa empresa tem dez empregos flutuantes e não é uma hipótese séria para os ex-trabalhadores”, concluiu.Paulo Caldas respondeu à letra e salientou a incoerência de posições da vereadora e do PSD em relação aquela matéria. Recordou que na assembleia municipal Luísa Pato (PSD) sugeriu a “blindagem” da classificação do terreno como industrial e que, no executivo municipal, o PSD defende que se abra caminho para a “especulação imobiliária”. Manuel Jarego (PSD) revelou, durante a reunião, que existe um grupo estrangeiro que o contactou para saber da disponibilidade de terrenos no concelho para instalação de uma superfície comercial do género do Fórum Montijo, com a criação de cerca de 400 postos de trabalho. Sem, no entanto, adiantar mais pormenores.Ricardo Carreira
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