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“Queremos trabalho”

A longa e desesperante espera à porta do centro de emprego

Dezenas de pessoas passam diariamente pelo Centro de Emprego de Vila Franca de Xira na expectativa de terem trabalho. O número de inscritos baixou, mas o drama do desemprego é bem visível na longa fila de espera.

Edição de 12.04.2006 | Sociedade
Passam 10 minutos das 9 da manhã e a sala de espera do Centro de Emprego de Vila Franca de Xira está lotada. A cena repete-se dia após dia, com centenas de pessoas a aguardarem pela ansiada notícia de que têm um emprego. Teresa Sousa, de 34 anos, já perdeu a conta às vezes que perdeu a manhã no centro à espera de boas novas. Há cerca de um ano a empresa de limpezas em que trabalhava iniciou um processo de falência e Teresa foi uma das muitas trabalhadoras que ficaram sem o seu emprego. Teresa Sousa, residente em Povos, Vila Franca de Xira, ficou então dependente do subsídio de desemprego enquanto aguarda uma nova oportunidade. Desde Dezembro integra um programa ocupacional para desempregados na EB1 do Bom Retiro, em Vila Franca, mas, para já, sem remuneração.Com quatro filhos menores, o mais velho com 14 anos e o mais novo com apenas dois, os 385 euros que recebe por mês adicionados ao intermitente ordenado do marido são insuficientes para fazer face a todas as despesas. “É muito difícil fazer o dinheiro chegar ao fim do mês”, refere, acrescentando que Maio poderá vir a ser um mês muito complicado por o marido estar também, neste momento, sem trabalhar. Trabalhador da construção civil, o marido de Teresa Sousa está à espera de ser chamado pelo patrão para um novo trabalho, o que espera que esteja para breve. Do Centro de Emprego de Vila Franca de Xira já teve algumas ofertas de emprego, sempre na restauração, mas até agora foi obrigada a rejeitar pela incompatibilidade dos horários com a sua condição de mãe. “Os trabalhos que têm aparecido têm sempre horários nocturnos o que para mim não dá por casa dos meus filhos. Tenho que cuidar deles”, conclui. Ana Paula Nunes, de 32 anos, depara-se como a mesma dificuldade de compatibilização de horários das ofertas de trabalho com a sua vida pessoal. A filha de cinco anos consome muito do seu tempo, sobretudo pelo facto de ser mãe solteira. Por outro lado, este factor obriga a que a necessidade de arranjar um emprego seja mais premente.Para conseguir gerir o subsídio de desemprego todos os meses, Ana Paula diz que tem que fazer uma grade ginástica orçamental. “Temos que esticar muito, cortando em imensas coisas”.Até Dezembro do ano passado Ana Paula Nunes, do Carregado, trabalhou na área da distribuição através de agências de trabalho temporário. Há dois anos perdeu o emprego na área da administração em que sempre trabalhou e passou a viver a instabilidade dos empregos temporários. “Tinha contratos quinzenais e semanais em que vivia numa ansiedade para saber se na semana a seguir tinha trabalho, eram tempos difíceis. Este tipo de contratos deveria ser proibido”, refere. Actualmente, vive com a mãe por não ter condições para sustentar uma casa. Por isso, o sonho de Ana Paula é “arranjar um emprego a sério e ter uma casa só para mim a para a minha filha”.Rosário Mendes, de 30 anos, tem também experimentado a insegurança dos trabalhos temporários. Apesar de ter o 12º ano e formações na área da hotelaria, Rosário, de Vila Franca, não consegue encontrar um emprego que lhe dê estabilidade financeira. Com três filhos menores é com o ordenado do marido que consegue “desenrascar o mês”. Pagar a renda de casa e todas as despesas com os filhos, quando o “custo de vida está cada vez mais elevado” é, igualmente, um verdadeiro desafio para Rosário Mendes e o marido. Sara Cardoso

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