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Paulo Costa

Vila Nova da Rainha (Azambuja), 35 anos, cabeleireiro

“Para os portugueses a velocidade é uma forma de afirmação. O português conduz mal e coloca muitas vezes em perigo a vida de outras pessoas. As estradas já melhoraram muito nos últimos anos. Não pode servir sempre de desculpa”

Edição de 19.04.2006 | Agora falo eu
Tem confiança nos alimentos vendidos nas roulottes?No Verão, quando vinha de França passar férias a Portugal, achava engraçado e cheguei a parar algumas vezes nas roulottes com amigos. Àquela hora estávamos com fome e estava tudo fechado. É o tipo de comida que se consome uma vez de vez em quando. Até porque esses alimentos não são muito saudáveis e as condições de confecção deixam um bocadinho a desejar…Costuma participar nas largadas de touros?Não. Há quem chame a isso cultura, mas eu pessoalmente detesto. No que diz respeito a vacadas e touradas não sou nada português. Apesar de Portugal não matar os toiros não acho a mínima piada a essa tradição.O problema da sinistralidade é das estradas ou dos condutores?É dos condutores. Eu não conduzo, mas acho que para os portugueses a velocidade é uma forma de afirmação. O português conduz mal e coloca muitas vezes em perigo a vida de outras pessoas. As estradas já melhoraram muito nos últimos anos. Não pode servir sempre de desculpa. A taxa de desemprego em Portugal é real?Em Portugal há uma minoria de pessoas que não são qualificadas e dificilmente irão arranjar trabalho. Mas comparativamente a outros países da União Europeia até acho que os portugueses são esforçados. Adaptam-se a muitas situações. Se não encontram trabalho no ramo tentam procurar alternativas.De que sente falta na região?Falta mais dinamismo a nível cultural e desportivo. Acho uma pena que aos fins-de-semana as pessoas se fechem em centros comerciais. Também não posso comparar a região com a cidade de Paris, onde vivi. À sexta-feira à noite fechavam-se ruas inteiras para ver pessoas a andar de patins. Há demasiados licenciados no país?Noto que há muitos doutores em Portugal. Qualquer pessoa tem um diploma. Favorece-se muito quem tem um curso superior em detrimento dos outros. A nível de salários e não só. É pena não se valorizarem outras áreas. Trabalhei cá em Portugal e algumas pessoas chegaram a dizer-me: “Não me chame senhora, chame-me senhora doutora”…O sistema de saúde em Portugal é justo?Vivemos com a medicina dos ricos e com a medicina dos pobres. Quando vou ao médico aqui pago 60 euros. Em França pago 20. Acho inconcebível que alguém espere um ano e meio por uma operação.Já se pode falar em igualdade entre homens e mulheres?Os franceses lavam mais loiça e fazem mais vezes a cama que os portugueses. Os trabalhos domésticos são mais partilhados. Mas acho que Portugal está melhor. A tradição da mulher latina, que ficava em casa a tratar dos filhos enquanto o homem estava a trabalhar, também estava muito enraizada.Já alguma vez foi voluntário?Só uma vez. Na Austrália. Mas é uma coisa que gostava de fazer com mais frequência. Visitei pessoas com HIV num hospital através de uma associação católica. Eram pessoas com a doença num estado já muito avançado. Tentávamos fugir do tema da doença e da morte. Algumas dessas pessoas eram visitadas também por padres e nessa fase terminal da vida converteram-se ao catolicismo.

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