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Mordaz Manuel Serra d’Aire

Edição de 19.04.2006 | E-mails do outro mundo
Nunca pensei que pudesse dar urros de satisfação por os governos civis não serem extintos. Mas a verdade é que pulei de alegria e até brindei a essa decisão do Governo. Porque agora que finalmente temos em Santarém um governador civil como deve ser era triste vê-lo desaparecer na voragem das reformas do Estado.Porque Paulo Fonseca, o homem com rosto de teenager, só tem ideias de génio. Como aquela de lançar campanhas para promover o consumo de vinhos ribatejanos. Confesso que eu e muita gente não precisamos desses incentivos para sermos convencidos. Preferíamos aliás que o governador civil nos atribuísse uns subsídios para podermos cumprir com a nossa parte. Porque ao preço a que muitos néctares estão um tipo tem de ser abstémio mesmo que não queira. De qualquer forma, Paulo Fonseca não se devia limitar a lançar apelos que podem muito bem cair em saco roto. Para conseguir efeitos práticos e dar mais alcance à campanha devia começar por promover os vinhos junto dos autarcas da região. Com excepção do presidente da Câmara de Torres Novas, que já é exuberante e efusivo quanto baste. Já o presidente da Câmara de Alpiarça, por exemplo, se bebesse uns bons tintos era capaz de curar a azia que o atormenta há anos e até, quem sabe, aprender a conviver com os comunistas que o atazanam e com o massacre da comunicação social de que, volta e meia, se diz vítima.É muitas vezes sob o efeito de um bom vinho que os grandes artistas produzem as suas obras-primas. Que muita gente se desinibe e faz coisas de que nunca na vida se julgou capaz. Há pois que fazer dos nossos autarcas cobaias, incentivá-los a beber durante o serviço e ver o que dali sai depois em obra feita. Estou convencido de que as coisas não iam piorar…O governador civil tem ainda outra missão a cumprir. Convencer o presidente da Câmara de Santarém a escrever um guião para uma série televisiva com os vinhos ribatejanos em destaque. Moita Flores já perdeu tempo que chegue com o vinho do Porto e com a Ferreirinha. É tempo de lhe exigir uma telenovela passada no meio das vinhas de Alcanhões, do Cartaxo ou de Almeirim.Quem também anda a precisar de inspiração é a Associação Comercial e Empresarial de Santarém. Num fim-de-semana destes colocou coelhos de Páscoa (seja lá o que isso for…) no centro histórico de Santarém a distribuir amêndoas. E a pergunta que se impõe é: quem é que consegue cativar consumidores com amêndoas e coelhinhos? Nem os putos se deixam convencer com isso. E mesmo que ainda haja alguns mais tansos que se deixem levar, os comerciantes não vão longe porque os cachopos não têm idade para usar cartões de crédito e andam habitualmente mais tesos que a Câmara da Chamusca.Eu ainda passei por lá na esperança de que houvesse um erro no programa e me fosse deparar não com coelhinhos de Páscoa mas com coelhinhas da Playboy. E que, em vez de amêndoas, houvesse distribuição de champanhe e caviar. Qual era o homem que não entregava de bom grado o cartão à esposa para poder ficar por ali a usufruir das acções de animação da associação de comerciantes enquanto a cara-metade esfolava o ordenado nas lojas? E com esta interrogação me vou, porque tenho uma prova de vinhos à espera.Um abraço pascal do Serafim das Neves

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