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A má-língua e a economia

A má-língua e a economia

O desenvolvimento económico no concelho de Santarém

O núcleo da Nersant de Santarém promoveu um seminário para discutir o desenvolvimento económico no concelho. Joaquim António Emídio, José Eduardo Carvalho e Francisco Moita Flores foram os oradores convidados que falaram para uma plateia que quase enchia o auditório.

Edição de 19.04.2006 | Economia
O presidente da Nersant criticou a autarquia de Santarém por ter passado ao lado do desenvolvimento económico do distrito nestes últimos 25 anos. Falando num seminário promovido pelo núcleo do Nersant de Santarém, dia 12 no Instituto da Juventude, em Santarém, José Eduardo Carvalho teceu duras criticas aos dirigentes políticos e associativos que nas três últimas décadas gastaram mais tempo a discutir do que a trabalhar.“Porque é que a câmara de Santarém não acha que o NERSANT é um bom parceiro para esta cidade? Há boas relações institucionais mas de verdade não se fez nada pelo desenvolvimento, limitamo-nos a ser cordiais uns com os outros e isso não chega. Nesta cidade só se fala de cultura e de património. Há 20 que se anda a falar do que pode vir a ser o antigo Campo da Feira. Criam-se grupos de reflexão e outros para discutirem o futuro daquele espaço. Tanta discussão acabou em nada. Até hoje. Esta cidade faz gala em destruir ideias e projectos. Esta gente vive da má-língua e das tricas. Não têm elevação no discurso. Não têm ideias nem são capazes de reconhecer as boas ideias dos outros. Todos vivem felizes por destruir. Todas as cidades são um pouco assim . Mas Santarém exagera”.Antes destas afirmações, que foram escutados por um auditório maioritariamente composto por empresários, José Eduardo Carvalho já tinha alertado para a capacidade de iniciativa dos empresários locais se fossem tão bem tratados como são os de fora. E entre algumas perguntas pertinentes que foi fazendo durante a sua intervenção, questionou sobre se para Santarém bastava ter o Centro Nacional de Exposições e o Festival de Gastronomia para afirmar a cidade e o concelho. O pretexto para afirmar a sua convicção de que os empresários da região merecem o mesmo respeito do que aqueles que vêm de fora foi sustentado no apoio financeiro e institucional que cerca de 160 empresários deram às estruturas accionistas de várias sociedades gestoras que entretanto foram constituídas e das quais resultou um investimento de mais de 230 milhões de contos. “Na minha opinião já era altura do presidente da Câmara de Santarém assumir o pelouro do desenvolvimento económico. Santarém passou ao lado de toda a prosperidade. Se eu vivesse nesta cidade não me importava de pagar uma taxa municipal para termos aqui um grande arquitecto a planear o futuro da cidade para os próximos quinze anos”, afirmou ainda, antes de se dirigir pela última vez ao presidente da câmara, dizendo que da parte do Nersant havia toda a disponibilidade para colaborar, fazendo ainda votos para que a actual câmara não siga o exemplo de todos os executivos anteriores que viraram as costas ao Nersant.Para dar consistência às suas palavras José Eduardo Carvalho foi passando algumas imagens de alguns projectos estruturantes realizados a norte do distrito, nomeadamente em Abrantes, Barquinha e Constância, muitos deles ligados ao Tejo e ás potencialidades do rio, lamentando o facto de Santarém nunca ter sabido aproveitar convenientemente os fundos da comunidade europeia.Este presente não éuma colheita do passado“Estou a escrever um livro de memórias porque, para além de politico e professor, acima de tudo sou escritor”, começou por dizer Francisco Moita Flores, acrescentando que nas fichas que está a preencher para depois escrever o livro há-de ficar registado o facto de nos últimos cinco meses só ter estado duas vezes com os seus filhos e três ou quatro com o seu pai. “E tudo isto para poder trabalhar para Santarém, não que tenha a ilusão de que é possível recuperar o tempo perdido mas para devolver a dignidade ao poder autárquico neste concelho”.Voltando-se para José Eduardo Carvalho, Moita Flores acusou as críticas que o presidente da Nersant fez à gestão autárquica do concelho e devolveu as criticas dizendo que “o Nersant, na hora de escolher um concelho para a sua sede social também não escolheu o concelho de Santarém. Este presente não é uma colheita do passado”, acrescentou, para mais à frente reafirmar a sua vontade de mudar tudo do avesso em Santarém no que respeita à relação entre o município, os cidadãos e os empresários.“Querem exigir-me que faça em cinco meses aquilo que ninguém conseguiu fazer em 30 anos e que se pode traduzir numa política de servilismo e  de beija - mão ao poder. Eu não me importo mas quero dizer desde já que têm um parceiro na autarquia e não uma teta como tinham antes”.Recuperando alguma palavras de José Eduardo Carvalho quando este falou de alguns falhanços como foi até agora o Parque de Negócios de Santarém, Moita Fores elevou a fasquia e disse que “a autarquia tem sido espoliada em milhões com negócios como o da fabrica Sousa Cinta, da Lactogal e outros. A Câmara de Santarém é um bem público e temos que dar resposta perante cerca de 70 mil eleitores e não só a umas centenas de empresários. Esta câmara chegou à agonia financeira. Neste momento precisa da ajuda de todos nós.“Como foi possível deixar chegar a autarquia a este estado sem um acto de insurreição, sem um grito de alma ? perguntou, para responder de seguida que “foi possível porque esta cidade nunca teve nem tem massa critica”.“Um dos principais desafios da minha equipa é rejuvenescer aquilo que são os procedimentos da autarquia. Quando entro na câmara e dou uma ordem sinto-me como um tipo que dá um pontapé num elefante que está deitado. Ninguém se mexe”.“Eu não vejo os meus filhos nem os meus netos mas os meus despachos estão em dia. Porque naquela casa está tudo no gabinete do presidente. Até um simples despacho de um pedido de um varredor vai ao gabinete do presidente. Não me espanta que muitos investidores tenham fugido de Santarém. A burocracia na autarquia é um monstro inqualificável”, desabafou.“Seremos um parceiro fiel mas não contem com  a câmara de Santarém para apoiar projectos manhosos. Estou aqui para servir com lealdade quem acreditou em mim. Tive  a sorte de ser apoiado por um partido que não me pediu nada em troca. E tive ainda a sorte de poucos terem acreditado que eu ganhava as eleições. Não me esqueço que algumas pessoas passavam por mim na rua e até se encolhiam”, desabafou ainda.Apesar das críticas ao anterior poder autárquico e  a alguns sectores da sociedade escalabitana Moita Flores acabou a sua intervenção a dizer que apesar de tudo tem “um respirar feliz por sentir a adrenalina na ponta do nariz”.É também por isso que não vou voltar as costas à luta. E não vou deixar delapidar o património de Santarém”.Quando Mota Flores acabou a sua intervenção tinham passado cerca de três horas desde o início do seminário razão mais do que suficiente para que o período de debate se resumisse a uma única intervenção da plateia.Uma última nota para a intervenção do director geral de O MIRANTE que também criticou a política autárquica e a falta de líderes de opinião. Joaquim António Emídio defendeu ainda que a NERSANT devia repensar a existência dos seus núcleos e investir mais em concelhos como o de Santarém que, apesar de todas as debilidades, é dos que tem mais condições para responder aos desafios do futuro.
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