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O técnico de radiologia

José Marçalo da Silva inscreveu-se em análises clínicas mas acabou na turma “errada”

Um “feliz” engano levou José Marçalo da Silva a ingressar no curso de técnico de radiologia, ao invés do curso de análises clínicas que tinha escolhido. Hoje confessa-se apaixonado pela profissão.

Edição de 19.04.2006 | Identidade Profissional
Às 8h30 da manhã José Marçalo da Silva entra na Diamecom, empresa de diagnóstico médico computorizado de Tomar, veste a bata branca e espera pelos primeiros doentes. Que tanto podem ir fazer uma simples radiografia ou exames mais complexos e minuciosos como uma tomografia axial computorizada (TAC) ou uma ressonância magnética.Todos os dias é assim, há já 16 anos. Uma vida profissional que o técnico de radiologia considera gratificante e estimulante. Muito mais do que, pelo conhecimento que tem com outros profissionais, a carreira de analista clínico que queria seguir.Foi um “feliz engano”, como agora diz, que o levou à radiologia. Acabou o 12º ano sem saber muito bem o que profissionalmente queria fazer. Como estava na área de ciências decidiu-se por seguir análises clínicas mas um erro no recebimento da sua candidatura por parte do secretariado da Escola Superior de Serviços de Saúde de Lisboa colocou-o no curso de radiologia.Quando o erro foi finalmente resolvido José Marçalo da Silva já não quis mudar. Os colegas eram simpáticos e estava cada vez a gostar mais daquele curso. Um gosto que aumentou ainda mais durante o estágio de final de curso, efectuado no Hospital de São José. “A Tomografia Axial Computorizada (TAC) estava então a dar os primeiros passos em Portugal e eu achei tão fascinante que decidi investir o meu futuro profissional nela”, diz o técnico de radiologia.Que não renega os conhecimentos do passado porque foram eles que lhe deram o know how para aprender coisas novas e tecnologicamente mais avançadas. “Tive a felicidade de fazer TAC’s desde sempre, a par da radiologia convencional, passando depois para a digital até ao topo que é a ressonância magnética”, refere o técnico.Mesmo sabendo que trabalha com um aparelho topo de gama, com um programa muito exigente em termos de estudo de hardware e software, José Marçalo Silva diz ser também fundamental ter tido uma boa aprendizagem em todas as outras áreas. “Um técnico pode começar a trabalha com a ressonância mas se tiver conhecimentos do resto de certeza que será uma pessoa mais completa em termos profissionais”.“Considero muito importante saber fazer-se tudo”, diz José Marçalo Silva. É por isso que, apesar de trabalhar mais directamente com a TAC e a ressonância magnética, continua a manter também contacto com as outras áreas, tentando estar sempre a par do que se vai fazendo. “É um desperdício deixarmos de fazer uma coisa que já soubemos fazer bem”. O que faz um técnico de radiologia? Além das tradicionais radiografias, quer ainda pelo método tradicional (vulgarmente denominadas de chapas) quer de modo já digital, um técnico radiológico faz também outro tipo de exames mais complexos e/ou específicos.Como as osteodensiometrias (exame que avalia a percentagem de cálcio nos ossos); as ortopantomografias e teleradiografias da face, exames geralmente pedidos por dentistas; as TAC e ainda as ressonâncias magnéticas.José Marçalo da Silva prefere a ressonância magnética à TAC. Porque diz trazer mais vantagem para o doente. “Não só permite diagnósticos mais apurados como a radiação é inócua, ao contrário da TAC que usa a radiação ionizante, como as radiografias”.Só em duas coisas, considera o técnico, a TAC supera a ressonância magnética – é no estudo da textura óssea e nos estudos para implantes dentários. “Em contrapartida a ressonância permite fazer diagnósticos que por vezes passam despercebidos numa tomografia axial computorizada”.Em áreas da saúde tão sofisticadas e tecnologicamente avançadas a formação é praticamente constante. Porque a evolução profissional assim o exige. O princípio de que nunca se sabe tudo é religiosamente seguido pelo técnico.Que afirma ser também necessária uma certa dose de bom senso para lidar com os doentes. Porque, estando doentes, ficam mais sensíveis às situações.Alguns só descobrem que são claustrofóbicos quando entram no equipamento de TAC ou da ressonância magnética. Nesses casos José Marçalo da Silva explica-lhes como os equipamentos funcionam e sugere-lhes uma ida ao médico de família. “Em muitos casos as pessoas sentem-se mais confiantes e voltam cá, acabando por fazer o exame”, diz o técnico. Que se for preciso, fica para além das 19 horas, a sua hora de saída. “O doente está primeiro”.Margarida Cabeleira

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