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A esperança de mexer os braços

A esperança de mexer os braços

Acidente de trabalho deixou-o tetraplégico aos 45 anos

Uma acidente de trabalho atirou Eduardo Silva para uma cadeira de rodas. O serralheiro de Alverca gastou a indemnização para recuperar o movimentos das pernas e agora quer voltar a usar os braços, mas já não tem recursos para o fazer.

Edição de 19.04.2006 | Sociedade
Eduardo Delgado da Silva, sofreu um acidente de trabalho há cerca de seis anos, que o deixou tetraplégico. Serralheiro civil de profissão, o infortúnio bateu-lhe à porta, aos 45 anos, ao cair de um andaime, nas obras do mercado de Vialonga.As graves lesões sofridas na medula deixaram-no sem movimentos do pescoço para baixo. Dois anos após o acidente, Eduardo iniciou um tratamento numa clinica de Aveiro, com técnicos cubanos, “que fizeram milagres”. Conseguiu recuperar parte dos movimentos dos membros inferiores e começou a dar alguns passos. Mas, o tratamento ficou pelo caminho, por não ter posses económicas. O sonho de recuperar também os movimentos dos braços, que estão completamente paralisados, perdeu-se. Eduardo Silva está agarrado a uma cadeira de rodas. Um suporte colocado ao nível da cabeça permite-lhe controlar os comandos da cadeira eléctrica em que se movimenta, com o queixo, dependendo de terceiros para se vestir e cuidar da higiene pessoal.“É triste estar assim. Era uma pessoa que gostava de trabalhar...”, diz Eduardo da Silva que recorda o acidente sofrido a 22 de Novembro de 1999.“Foi uma queda de cerca de três metros de altura e caí em cima de uns andaimes que estavam desmontados no chão. Fiquei tetraplégico”, contou no passado sábado à reportagem de O MIRANTE, quando o visitámos em casa, no Bom Sucesso, em Alverca.Eduardo esteve internado cerca de um ano. Depois de operado no hospital de São José, em Lisboa, seguiu-se um internamento de nove meses no hospital da CUF e três meses no centro de reabilitação de Alcoitão, nos arredores de Cascais, sem qualquer recuperação.Eduardo era o sustento da casa. Ficou com a vida destroçada. Desde o acidente, a companhia de seguros da entidade patronal paga-lhe mensalmente 400 euros, a mulher faz alguns trabalhos de limpeza mas não garante um salário certo ao fim do mês.Dois anos após o acidente “tive conhecimento através de um vizinho que tem um filho deficiente, da existência de uma clinica particular em Aveiro”, explica o infortunado Eduardo da Silva, e resolveu investir o dinheiro que recebera de um seguro de vida, colocando-se nas mãos dos técnicos cubanos que ali trabalhavam. “Estive lá cinco meses e puseram-me a andar”, afirma o serralheiro civil, sublinhando os excelentes resultados conseguidos pelos técnicos cubanos, que garantiam maior mobilidade nas pernas e uma recuperação dos movimentos dos braços a oitenta por cento.Só que o tratamento teve de ser suspenso por razões financeiras. “Gastei mais de quatro mil contos (vinte mil euros)”, adianta o deficiente, que passou a frequentar sessões de fisioterapia em Alverca, mostrando-se insatisfeito com os resultados. “Não estão a dar nada. Faço sessões só de quinze minutos, enquanto que em Aveiro as sessões tinham quatro horas”Eduardo tem 51 anos. A recuperação conseguida através dos tratamentos realizados pelos técnicos cubanos permitem-lhe dar alguns passos em casa, em bicos dos pés, apoiando-se nas paredes e mobiliário. “Mas não posso ir para a rua senão caio...”, lamenta.Passa os dias em casa, deslocando-se na cadeira de rodas para a fisioterapia e para o café, perto de casa, no Bom Sucesso, onde passa alguns momentos com os amigos.“São as pessoas que me ajudam, dando-me o café à boca”, explica Eduardo da Silva que por vezes demonstra ainda ter a esperança de voltar aos tratamentos e vir a recuperar os movimentos dos membros superiores mas, ao mesmo tempo, mostra-se desanimado.“Isso era muito bom, mas...”, remata, sem acabar a frase, dando a entender que a falta de recursos económicos não lhe permite a recuperação que lhe fora garantida quando teve de interromper os tratamentos.José Bernardes
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