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A esperança renovada

A esperança renovada

Famílias procuram todo o tipo de ajuda
Edição de 19.04.2006 | Sociedade
Carolina Caetano já perdeu a conta às clínicas e centros de recuperação em que entrou com o filho. Para além das instituições em Portugal, o filho de Carolina esteve três anos num centro de recuperação em Espanha. Carolina Caetano diz que depositou grandes esperanças neste tratamento, mas uma semana depois de regressar a Portugal ele voltou a consumir. Em menos de dois meses gastou todo o dinheiro que ele próprio tinha guardado, cerca de quatro mil eurosAs forças para lutar pela recuperação do filho ao longo destes 16 anos diz que as vai buscar ao amor que tem por ele. Carolina Caetano acredita que a relação aberta que sempre manteve com o filho e a compreensão que procurou ter sempre têm sido fundamentais para que nunca tenha chegado a uma situação de total descontrolo. E quando isso quase acontecia “eu estava lá ao lado dele e não permitia”.No entanto, Carolina confessa que muitas vezes também desespera e só lhe apetece “fugir”. É nessas alturas que diz ao filho que é a última vez que o ajuda numa recuperação. Últimas vezes que se repetem, porque o seu “amor de mãe é incondicional”.Maria de Lurdes Costa garante que não desiste. “Esta luta é a missão da minha vida”, acrescenta. Esta mãe que há 20 anos luta também pela desintoxicação do filho refere que “o sofrimento que cada uma vive só elas mesmas o conhecem”. Num relato emocionado, Maria de Lurdes, residente em Castanheira do Ribatejo, recorda as inúmeras tentativas fracassadas e as esperanças desfeitas. No entanto, as forças para lutar pelo único filho nunca lhe faltaram. “Sempre fui uma pessoa muito corajosa e forte. Fui sempre o pilar dele”. Mesmo quando se sente “destruída” pela destruição que o filho propaga.Nestes 20 anos, foram mais as noites passadas em claro a pensar no que fazer para salvar o filho do que as passadas a dormir. Muitas outras noites foram ainda passadas na rua, algumas vezes mesmo em robe, à procura do filho. “Na hora em que eu me lembrasse que ele poderia estar a consumir ou com más companhias eu saia à procura dele”. Com um certo alívio, Maria de Lurdes diz que, felizmente, o filho nunca roubou. “Ele pedia-me sempre que precisava. As coisas dele empenhava e ia depois buscar”. Durante quatro anos e até há alguns meses atrás, o filho de Maria de Lurdes não consumiu. Contudo, uma separação fragilizou-o e voltou às velhas e pérfidas companheiras, a cocaína e heroína. Apesar de no início lhe ter prometido que “desta vez não me vais ter ao teu lado”, Maria de Lurdes Costa está novamente empenhada em conseguir libertar o filho da toxicodependência e já o acompanhou à primeira consulta do tratamento que vai agora iniciar. João, o filho da professora, está a fazer uma paragem de consumos e a preparar-se para experimentar uma nova comunidade terapêutica. É a sétima tentativa e depois de sete anos de vida e milhares de euros perdidos, os pais acreditam numa “nova esperança”. O filho de Carolina Caetano está há sete meses em tratamento no Núcleo de Atendimento a Toxicodependentes de Povos, em Vila Franca de Xira. A recuperação está ser bastante positiva e até já está à procura de um novo emprego. No entanto, Carolina diz que não se quer iludir. “Nesta altura, já é difícil acreditar que a recuperação seja definitiva”, desabafa.
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