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A família moderna à procura de si própria

A família moderna à procura de si própria

“Festa da Família” instala-se na Quinta da Cardiga na Golegã

A “Festa da Família” assenta arraiais na Quinta da Cardiga, concelho da Golegã, entre 29 de Abril e 1 de Maio. O objectivo é reflectir sobre os laços familiares nos dias de hoje. A iniciativa é do Padre António Vicente da Paróquia da Sagrada Família do Entroncamento.

Edição de 19.04.2006 | Sociedade
Casaram-se e viveram felizes para sempre. É assim que, nos filmes, acabam as grandes histórias de amor. Mas, na realidade, o guião pode ser bem diferente. Actualmente, no amor já não existem certezas absolutas. Os tempos são outros, as vontades alteram-se e o conceito de família começa a assumir contornos diferentes. A “Festa da Família”, marcada para o último fim-de-semana de Abril na Quinta da Cardiga, Golegã, pretende fazer repensar esse conceito e servir de ponto de partida para uma nova visão da vida familiar.Confrontado diariamente com as dificuldades que os casais têm de enfrentar nos dias de hoje, o padre António Vicente, responsável pela paróquia da Sagrada Família, no Entroncamento, tomou a iniciativa de organizar um evento capaz de “deixar as pessoas a pensar na importância da família”.“A família anda à procura de si própria. Estamos de facto a viver um tempo de crise, que deve de ser encarado como um momento de passagem, apesar das dificuldades”, diz o pároco. Numa altura em que a vida é comandada pelos ponteiros do relógio e as relações afectivas cada vez mais efémeras, aumentam as exigências para manter viva a chama da família, que também sofre com o panorama económico-social que o país atravessa: “A crise económica reflecte-se sobretudo na família e atinge pais e filhos. É evidente que o endividamento não ajuda e as pessoas andam desanimadas. E isso provoca rupturas e feridas muito dolorosas”, explica o padre Vicente.O aumento do número de divórcios é o espelho dessas dificuldades, que acabam por se reflectir na forma de encarar a vida em comum, por parte dos casais mais novos, como constata o pároco: “Ultimamente tenho-me apercebido dos medos, das inquietações e dos fantasmas dos casais mais novos. Porque são as gerações mais novas quem mais sofre com todos estes abalos”.Mas, por outro lado, também são os casais mais novos, quem mais procura ajuda no sentido de contrariar a tendência das relações descartáveis: “Como já sofreram na pele as consequências deste período de crise, são eles que querem dar uma resposta contrária a este tempo de separação fácil”, diz o padre Vicente.Mais preparados e conscientes para enfrentar a vida a dois, segundo o padre Vicente, os jovens procuram actualmente construir alicerces mais estáveis antes do dia do casamento, o que se pode tornar num elemento facilitador na construção de uma relação.E, se os tempos mudam, as mentalidades também se alteram. Actualmente, as mulheres já não ficam necessariamente em casa a tomar conta dos filhos, enquanto o marido sai para trabalhar. Por isso, o patamar de igualdade que se estabelece entre marido e mulher começa a contrariar o tradicional conceito de família.“Nos dias de hoje, são os dois membros do casal que se dedicam à família. O homem e a mulher partilham missões e responsabilidades, e essa foi uma grande conquista dos últimos tempos. Se a família perdeu algumas coisas, também ganhou outras”, defende o pároco.Para melhor ou para pior, a verdade é que o conceito de família se alterou, e hoje os quadros familiares já não se pintam todos da mesma forma. Mesmo assim, apesar das diferenças, o valor da instituição familiar mantém-se, e precisa, segundo o padre Vicente, de ser lembrado e celebrado.Carla Paixão
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