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A poetisa do povo

Prémio “Carlos Gaspar 2005” distingue Piedade Salvador

Piedade Salvador, a poetisa de Samora Correia, foi distinguida com o prémio “Carlos Gaspar” pelo amor à poesia e aos temas do Ribatejo que a inspiram há décadas.

Edição de 19.04.2006 | Sociedade
O primeiro poema foi escrito aos nove anos. Piedade Salvador dedicou-o a Nossa Senhora da Conceição. De bicos dos pés colocou o papel dobrado no altar da santa, na Igreja Matriz de Samora Correia.Foi o princípio de uma vida dedicada à poesia e aos temas do Ribatejo. Na quinta-feira, 13 de Abril, a comemorar os 496 anos do Foral de Samora Correia, a terra que a viu nascer prestou homenagem à poetisa com a atribuição do prémio “Carlos Gaspar 2005”, uma personalidade que se destacou igualmente pelo dinamismo cultural e associativo.O Centro Cultural de Samora Correia encheu-se para aplaudir a filha da terra. Poetisa, dirigente associativa e benemérita. A menina do campo, filha de agricultores, passava dias inteiros a folhear as obras de Afonso Lopes Vieira e João de Deus. Nas páginas dos livros escolares procurava os versos que lhe alimentavam a alma.Piedade Salvador completou a quarta classe com distinção. Mas a austeridade do ensino da época fê-la ficar-se pelos primeiros quatro anos do ensino. Deixou a ardósia de lado e foi aprender a costurar e a bordar. Só mais tarde rumou a casa de familiares, em Lisboa, para frequentar um curso de estenografia e dactilografia.Até aos 21 anos, altura em que casou, trabalhou no grémio da Lavoura, em Benavente. Depois foi morar para uma quinta e dedicou-se à horta, às flores e aos animais. A poesia nunca lhe saiu do corpo. Os temas dos campinos, da lavoura, as vivências no campo, os namoricos de antigamente, as marchas populares. Nasceu-lhe um primeiro filho. Mais tarde um “segundo”: o seu primeiro livro. Muitos poemas estão ainda perdidos nas gavetas.À noite, quando tudo descansava, Piedade Salvador sentava-se frente a um papel branco. Às vezes as ideias surgiam durante a noite. Outras vezes escapavam quando o bloco não estava à mão. Já foi apelidada de poetisa do povo, mas Piedade Salvador, do alto dos seus 57 anos, considera que o termo é excessivo. “Faço versos populares que vão de encontro ao gosto do povo. Para mim a poesia é uma coisa mais profunda pela qual tenho um enorme respeito”, confessa Piedade Salvador.Os versos da poetisa enchem músicas de fadistas reputados e já preencheram longas horas de antena nas rádios locais e nacionais. A sua veia de poeta chamou a atenção dos famosos. Passou pela Aula Magna, Parque Mayer, São Luíz e Maria Matos.Piedade Salvador diz que há quem a acuse de escrever pouco sobre o amor. A poetisa prefere escrever sobre as touradas, sobre o fado dos campinos e sobre as desventuras dos homens do campo.Várias décadas depois mantém-se acesa a paixão pela terra e pela poesia. Não há dia que passe sem que Piedade Salvador transcreva para a folha de papel branco o que lhe vai na alma.Ana Santiago

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