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“Convença-a a voltar para casa, senhor presidente”

“Convença-a a voltar para casa, senhor presidente”

Há munícipes que vão às câmaras municipais fazer pedidos bem bizarros

Há pedidos que são feitos pelos munícipes aos presidentes de câmara tão esquisitos que são dignos de figurar num anedotário.

Edição de 19.04.2006 | Sociedade
Certo dia do ano passado um munícipe de Azambuja tocou à campainha da casa do presidente da câmara. Quando Joaquim Ramos (PS) abriu a porta deparou-se com um habitante de toalha e sabonete na mão. Os serviços camarários tinham cortado a água numa rua da vila por causa de umas obras que estavam a decorrer e o morador pretendia era tomar banho em casa do autarca. O caso parece uma anedota, mas é um dos muitos exemplos das solicitações invulgares que muitos autarcas enfrentam. Há munícipes que pedem empregos, outros que pedem empréstimos, mas esses são os chamados pedidos normais. O presidente da Câmara da Chamusca, Sérgio Carrinho (CDU), foi uma vez confrontado por uma mulher que não estava nada satisfeita com o alcatroamento da sua rua. “A senhora veio ter comigo aflita a exigir que colocássemos árvores à beira da estrada”, recorda. O pedido parecia normal. A justificação era mais bizarra. “Ela gostava de andar descalça no Verão e como o alcatrão aquecia mais que a terra batida de que era feita anteriormente a estrada, entendia que a câmara tinha que lhe proporcionar sombras para não escaldar os pés”, conta. No concelho há outras histórias caricatas, grande parte delas relacionadas com o arranjo de ruas. Numa reunião do executivo camarário, há alguns anos, Sérgio Carrinho ficou surpreendido com uma reclamação de um morador da vila. O queixoso tinha uma carroça puxada por uma mula que se fartava de escorregar numa rua íngreme. O autarca ainda se lembra do desabafo público do munícipe. “No caso da mula cair quem é que me resolve o problema?”. Mas até dos funcionários municipais surgem as mais bizarras rogações. Um trabalhador da Câmara de Mação dirigiu-se recentemente ao presidente Saldanha Rocha (PSD) a exigir um subsídio para dar corda ao relógio da praça central da vila. Tarefa que lhe foi atribuída e que é executada, segundo o autarca, uma vez por mês no horário normal de trabalho. Saldanha Rocha lembra-se ainda do caso de um trabalhador de uma serração do concelho que o abordou com uma factura de electricidade na mão. Este insistiu no sentido de ser o autarca a pagar-lhe uma dívida de 50 euros à EDP (Electricidade de Portugal).Os conflitos conjugais dos habitantes também podem cruzar-se no caminho dos presidentes. Joaquim Ramos conta que há três anos um munícipe foi à câmara, numa quarta-feira, dia de atendimento público do autarca, suplicando-lhe que o ajudasse na sua separação conjugal. O objectivo era que o edil convencesse a mulher a voltar para casa. No concelho de Coruche são os pedidos de emprego que fazem o presidente do município ficar embasbacado. É frequente aparecerem pessoas a fazer um choradinho para entrarem no quadro de funcionários municipais. Quase sempre os munícipes alegam que têm “problemas físicos, que não podem trabalhar, mas que precisavam de um emprego na câmara”, descreve o presidente Dionísio Mendes (PS).Situações destas acontecem no entender do presidente da Câmara de Azambuja, por causa da proximidade do poder autárquico. E quando aparecem pedidos ou reclamações esquisitas, o melhor é encarar a situação com algum humor, indica Dionísio Mendes.António Palmeiro
“Convença-a a voltar para casa, senhor presidente”

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