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Pesca e extracção de areia não combinam

Pesca e extracção de areia não combinam

Pescadores de Porto do Sabugueiro queixam-se dos riscos e dos efeitos ambientais

Os pescadores avieiros do Porto do Sabugueiro consideram-se prejudicados pela actividade de dois areeiros do Tejo.

Edição de 19.04.2006 | Sociedade
Os pescadores da localidade do Porto do Sabugueiro, em Muge, concelho de Salvaterra de Magos, dizem não suportar mais a actividade de duas unidades de extracção de areia do rio Tejo.A aldeia avieira tem nove famílias que se dedicam sobretudo à pesca no rio, mas encontra-se “encurralada” pelos dois areeiros. Os pescadores alertam para vários perigos. Um tem a ver com os cabos de aço que ligam as explorações às dragas instaladas no rio, que representam um risco para barcos e pescadores por não estarem sinalizados. “Em 29 de Março eu e o meu sogro estávamos no barco quando batemos num cabo e não fomos parar à água por acaso. Se viesse, como é habitual, a mulher dele, não sei o que aconteceria”, recorda António Rabita, enquanto com uma vara mostra a profundidade do rio naquele local.O responsável de produção da Europrates, areeiro que labora a norte da aldeia, esclarece que é costume sinalizar os cabos de aço que prendem as dragas no meio do rio e que vão continuar a fazê-lo. Mas reconhece que estes se soltam habitualmente. Luís Sobral refere que os pescadores podem evitar os locais mais próximos da draga pois o rio é largo. E considera que as dragagens são uma actividade de interesse público, importante para o desassoreamento do rio e prevenção de cheias.As queixas dos moradores do Porto do Sabugueiro não são de agora. Em 2005 enviaram abaixo-assinados à Câmara de Salvaterra, Governo Civil de Santarém e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT), entidade que emite as licenças dos areeiros, a denunciar os “exageros” das explorações.Recentemente entregaram ainda, na Inspecção Geral do Trabalho e na GNR de Marinhais, exposições devido aos horários de laboração de um dos areeiros. O director de produção da Europrates desmente qualquer ideia de laboração a horas menos próprias. Luís Sobral indica que a extracção de inertes do rio é feita de sol a sol, actualmente, das oito da manhã até cerca das 20 horas.O MIRANTE contactou a Exato Lda, o outro areeiro que labora a sul da aldeia do Porto do Sabugueiro, e a Câmara de Salvaterra, mas não obteve respostas até fecho desta edição. Ricardo Carreira
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